#6 Pegada Semanal – 06 a 20 de fevereiro
Bem-vindos a mais um “Pegada Semanal”, o seu resumo essencial das notícias que moldam o futuro do nosso planeta. Eu sou a Alexandra Costa e hoje, dia 20 de fevereiro de 2026, trazemos um balanço de duas semanas intensas.
De um lado, dados alarmantes sobre a aceleração do aquecimento global e decisões políticas controversas nos Estados Unidos; do outro, um fôlego inesperado para as reservas de água em Portugal e avisos sérios da Europa sobre a necessidade urgente de adaptação. Vamos a isto.
Começamos com o estado do clima global. Dez anos após a entrada em vigor do Acordo de Paris, os novos dados divulgados esta semana pela Reuters e por vários centros de monitorização climática trazem uma realidade dura: o mundo está a aquecer a um ritmo acelerado. 2025 confirmou-se como um dos três anos mais quentes de sempre, com as temperaturas dos oceanos a atingirem níveis recorde.
Mas a notícia que mais abalou a comunidade internacional veio de Washington. No passado dia 12 de fevereiro, a administração Trump, através da Agência de Proteção Ambiental (EPA), revogou oficialmente o chamado “Endangerment Finding” de 2009. Para quem não está familiarizado, este era o pilar legal que permitia aos Estados Unidos regular os gases com efeito de estufa como poluentes perigosos para a saúde pública.
Com esta decisão, caem as normas de emissões para automóveis e camiões, abrindo caminho para o desmantelamento de outras regulações climáticas. A comunidade científica classificou a medida como uma “rejeição das leis da física”, e vários grupos ambientalistas já avançaram com processos judiciais para travar esta revogação.
Ainda no plano global, o debate sobre a geoengenharia voltou à mesa. Cientistas alertam no “The Guardian” que injetar partículas na atmosfera para arrefecer o planeta não é uma solução mágica e pode ter efeitos secundários imprevisíveis e perigosos.
Na Europa, o tom é de alerta e coordenação. O Conselho Científico Consultivo Europeu sobre Alterações Climáticas publicou um relatório crucial esta semana. O aviso é claro: perante um clima cada vez mais hostil, a União Europeia tem de coordenar urgentemente as suas políticas de adaptação. Não basta reduzir emissões; é preciso preparar as infraestruturas e as economias para riscos sistémicos que já são inevitáveis.
A Comissão Europeia também deu sinais de querer avançar com a padronização das avaliações de risco climático em todo o bloco, garantindo que investidores e governos falem a mesma língua quando analisam a vulnerabilidade dos seus ativos.
No campo da inovação, destaque para o projeto europeu PVT4EU, que conta com a participação do Laboratório Nacional de Energia e Geologia de Portugal. O projeto está a testar novas tecnologias solares híbridas que prometem aumentar a eficiência da transição energética nos edifícios europeus.
Chegamos a Portugal com notícias que trazem algum alívio, mas também lições importantes. Hoje mesmo, a Agência Portuguesa do Ambiente confirmou que o sul do país tem agora reservas de água para dois a três anos. As barragens estão “literalmente cheias”, o que é um cenário quase impensável depois dos anos de seca severa que vivemos. No entanto, os especialistas avisam: este fôlego não deve levar ao relaxamento das políticas de eficiência hídrica.
E por falar em água, um relatório recente da Euronews Green sobre Portugal destaca que o mau planeamento e a gestão territorial agravaram os danos das sucessivas tempestades e depressões que nos atingiram nas últimas semanas. Inundações e cortes de energia poderiam ter sido mitigados se houvesse mais “espaço para a água” no nosso ordenamento do território.
Nota ainda para a biodiversidade: a Plataforma Lobo Ibérico veio hoje defender um maior apoio à pecuária extensiva. O objetivo é garantir que a conservação do lobo e a atividade agrícola possam coexistir de forma sustentável, baseada em conhecimento científico e não apenas em subsídios de emergência.
E com estas notícias fechamos a nossa “Pegada” desta semana. Entre a revogação de leis climáticas nos EUA e as barragens cheias em Portugal, fica o lembrete de que a sustentabilidade é um caminho de avanços e recuos, onde a ciência e a política travam um braço de ferro constante.
Obrigada por estar desse lado. Pode encontrar as referências de todas as notícias de hoje no nosso site e nas redes sociais. Eu sou a Alexandra Costa e voltamos na próxima sexta-feira. Até lá, deixe uma pegada positiva.

