{"id":1779,"date":"2026-04-21T05:08:00","date_gmt":"2026-04-21T04:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/?p=1779"},"modified":"2026-04-21T09:15:00","modified_gmt":"2026-04-21T08:15:00","slug":"55-anos-de-dia-da-terra-o-planeta-aqueceu-a-urgencia-cresceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/ambiental\/55-anos-de-dia-da-terra-o-planeta-aqueceu-a-urgencia-cresceu\/","title":{"rendered":"55 anos de Dia da Terra: o planeta aqueceu, a urg\u00eancia cresceu"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>22 de abril \u00b7 Dia Mundial da Terra<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong><em>O primeiro Dia da Terra, em 1970, reuniu 20 milh\u00f5es de americanos nas ruas e catalisou a cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA. 55 anos depois, mais de um bilh\u00e3o de pessoas em 192 pa\u00edses participam na data, segundo a EarthDay.org. O planeta est\u00e1 mais quente, mais degradado e mais pressionado do que nunca. O tema de 2025 \u00e9 energia renov\u00e1vel. O desafio \u00e9 existencial.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 22 de abril de 1970, o senador norte-americano Gaylord Nelson teve uma ideia que parecia simples: organizar um Dia Nacional de Demonstra\u00e7\u00e3o sobre o ambiente. O que aconteceu superou qualquer expectativa. Vinte milh\u00f5es de americanos sa\u00edram \u00e0 rua &#8211; estudantes, trabalhadores, cientistas, pol\u00edticos. Uma das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas da hist\u00f3ria dos Estados Unidos, numa \u00e9poca em que os rios ardiam de polui\u00e7\u00e3o industrial e o smog sufocava as grandes cidades. A organiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ficou a cargo de Denis Hayes, que transformou uma ideia de um senador num movimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinquenta e cinco anos depois, o Dia da Terra \u00e9 a maior celebra\u00e7\u00e3o ambiental do mundo &#8211; considerada a maior celebra\u00e7\u00e3o secular do planeta, segundo a EarthDay.org -, com mais de um bilh\u00e3o de participantes em 192 pa\u00edses. A organiza\u00e7\u00e3o promotora escolheu para 2025 o tema &#8220;O Nosso Poder, O Nosso Planeta&#8221; &#8211; uma convoca\u00e7\u00e3o para a acelera\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e para a triplica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o global de eletricidade renov\u00e1vel at\u00e9 2030. Um objetivo ambicioso, urgente e, segundo as an\u00e1lises mais recentes da ONU, ainda longe de ser garantido.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto do primeiro Dia da Terra foi r\u00e1pido e concreto: resultou na cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA e no refor\u00e7o de legisla\u00e7\u00e3o fundamental como a Lei do Ar Limpo. Em 1990, a data tornou-se global, mobilizando 200 milh\u00f5es de pessoas em 141 pa\u00edses, segundo dados do arquivo da EarthDay.org, e ajudando a preparar o terreno para a C\u00fapula da Terra de 1992 no Rio de Janeiro. Em 2016, o 22 de abril foi escolhido para a assinatura oficial do Acordo de Paris &#8211; o tratado que estabeleceu a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos valores pr\u00e9-industriais.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O estado atual do planeta: a crise que n\u00e3o para de se agravar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres, disse-o sem met\u00e1foras na mensagem de 2025: &#8220;A M\u00e3e Terra est\u00e1 com febre.&#8221; A imagem \u00e9 mais literal do que po\u00e9tica. 2024 foi confirmado o ano mais quente em 175 anos de registos instrumentais, segundo a Exame com base em dados das ag\u00eancias clim\u00e1ticas internacionais. A temperatura m\u00e9dia global ultrapassou a marca de 1,5 graus Celsius acima dos valores pr\u00e9-industriais durante per\u00edodos crescentemente longos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Painel Intergovernamental sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (IPCC) \u00e9 inequ\u00edvoco no seu relat\u00f3rio de s\u00edntese mais recente, analisado pelo WRI Brasil: para manter o aquecimento dentro de 1,5 graus Celsius, as emiss\u00f5es globais de gases com efeito de estufa teriam de ter atingido o pico antes de 2025 e ter\u00e3o de cair 43% at\u00e9 2030 face aos n\u00edveis de 2019, atingindo o zero l\u00edquido por volta de 2050. &#8220;Uma janela de oportunidade estreita ainda est\u00e1 aberta, mas n\u00e3o temos mais nem um segundo a perder&#8221;, escreveu o WRI. O caminho n\u00e3o est\u00e1 a ser percorrido \u00e0 velocidade necess\u00e1ria: as emiss\u00f5es globais continuaram a crescer ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, e as contribui\u00e7\u00f5es nacionalmente determinadas apresentadas pelos pa\u00edses no \u00e2mbito do Acordo de Paris continuam, na sua maioria, insuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sintomas s\u00e3o vis\u00edveis, frequentes e cada vez mais severos. Ondas de calor de intensidade sem precedentes hist\u00f3ricos. Inc\u00eandios florestais de escala hist\u00f3rica. Inunda\u00e7\u00f5es que destroem infraestruturas e ceifam vidas. Secas prolongadas que amea\u00e7am a seguran\u00e7a alimentar e h\u00eddrica. Derretimento acelerado das calotas polares e das geleiras de montanha, com consequ\u00eancias para o n\u00edvel do mar e para o abastecimento de \u00e1gua doce a centenas de milh\u00f5es de pessoas. A biodiversidade a desaparecer a uma taxa que os cientistas comparam \u00e0s cinco grandes extin\u00e7\u00f5es em massa da hist\u00f3ria da vida na Terra. A ONU estima que, at\u00e9 2050, o n\u00famero de refugiados clim\u00e1ticos poder\u00e1 ultrapassar os 1,2 mil milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a crise ambiental tem outras dimens\u00f5es que se alimentam mutuamente. A polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos contamina os oceanos, os rios, o solo e a cadeia alimentar &#8211; incluindo o corpo humano, onde micropl\u00e1sticos t\u00eam sido detetados em concentra\u00e7\u00f5es crescentes em praticamente todos os \u00f3rg\u00e3os analisados. A perda de biodiversidade amea\u00e7a os servi\u00e7os ecossist\u00e9micos que sustentam a produ\u00e7\u00e3o alimentar, a qualidade da \u00e1gua e a regula\u00e7\u00e3o do clima. A degrada\u00e7\u00e3o dos solos compromete a base f\u00edsica da agricultura global &#8211; um tema que o artigo sobre o 15 de abril deste mesmo m\u00eas explorou em detalhe. S\u00e3o crises paralelas e profundamente interligadas, que se refor\u00e7am numa espiral de destabiliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de suporte de vida do planeta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>&#8220;O Nosso Poder, O Nosso Planeta&#8221;: a aposta nas renov\u00e1veis<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O tema de 2025 n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1rio. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 identificada pelo IPCC e pela Ag\u00eancia Internacional de Energia Renov\u00e1vel (IRENA) como uma das alavancas mais poderosas dispon\u00edveis para reduzir as emiss\u00f5es. Sem uma expans\u00e3o massiva e r\u00e1pida da energia solar, e\u00f3lica e de outras fontes limpas, os objetivos clim\u00e1ticos do Acordo de Paris tornam-se inalcan\u00e7\u00e1veis, segundo ambas as organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A meta concreta proposta pela EarthDay.org para 2025 \u00e9 triplicar a produ\u00e7\u00e3o global de eletricidade renov\u00e1vel at\u00e9 2030 &#8211; um objetivo que, na COP28 em Dubai em 2023, foi formalmente adotado por quase 200 pa\u00edses. A Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA) analisou a viabilidade desta meta e concluiu, no relat\u00f3rio &#8220;From Taking Stock to Taking Action&#8221; de 2024, que est\u00e1 ao alcance &#8211; mas exigir\u00e1 um esfor\u00e7o concentrado. Ser\u00e1 necess\u00e1rio construir e modernizar 25 milh\u00f5es de quil\u00f3metros de redes el\u00e9tricas at\u00e9 2030 e instalar 1.500 gigawatts de capacidade de armazenamento de energia. Os investimentos necess\u00e1rios, segundo estimativas da Bloomberg NEF citadas pela IEA, rondam um bilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano para a triplica\u00e7\u00e3o da capacidade renov\u00e1vel, mais 193 mil milh\u00f5es anuais para armazenamento em baterias e 607 mil milh\u00f5es para redes el\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que o custo das energias renov\u00e1veis caiu dramaticamente. Desde 2010, os custos da energia solar e e\u00f3lica reduziram-se em at\u00e9 85%, segundo o IPCC. A solar fotovoltaica e a e\u00f3lica foram as tecnologias de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica que mais cresceram em 2024. Mas o crescimento registado, embora recorde, continua aqu\u00e9m dos 11,2 terawatts necess\u00e1rios para alinhar com a meta global de triplica\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030, segundo alerta da ONU. A EarthDay.org sublinha ainda que mais de 3,8 mil milh\u00f5es de pessoas vivem abaixo do &#8220;M\u00ednimo Moderno de Energia&#8221;, com consumo per capita inferior a 1.000 quilowatts-hora por ano &#8211; e que a transi\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel tem de incluir solu\u00e7\u00f5es de acesso universal \u00e0 energia limpa, garantindo que a descarboniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o reproduz desigualdades geopol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Portugal: entre a ambi\u00e7\u00e3o declarada e a concretiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o Dia da Terra de 2025 encontra um pa\u00eds com uma posi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica acima da m\u00e9dia europeia. Em 2023, as fontes de energia renov\u00e1vel representaram 63% da produ\u00e7\u00e3o de eletricidade nacional, tornando Portugal o 4.\u00ba pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com maior quota de eletricidade de origem renov\u00e1vel, segundo dados da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Energia e Geologia (DGEG) publicados na edi\u00e7\u00e3o 2025 do relat\u00f3rio &#8220;Energia em N\u00fameros&#8221;. A depend\u00eancia energ\u00e9tica nacional diminuiu para 66,7% &#8211; o segundo valor mais baixo dos \u00faltimos 20 anos, aproximando-se da meta de 65% definida para 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima.<\/p>\n\n\n\n<p>O Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC 2030), revisto e aprovado pela Assembleia da Rep\u00fablica em dezembro de 2024 sem votos contra &#8211; com votos favor\u00e1veis do PSD, PS e Livre -, tra\u00e7a metas mais ambiciosas. O PNEC 2030 prev\u00ea uma quota de 51% de energias renov\u00e1veis no consumo final bruto de energia at\u00e9 2030, acima da meta europeia m\u00ednima de 42,5% fixada pela Diretiva das Renov\u00e1veis RED III, segundo o Governo. Para a eletricidade, Portugal antecipou para 2026 a meta de 80% de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel, e quer atingir 85% em 2030. A neutralidade clim\u00e1tica foi fixada em 2045 &#8211; cinco anos antes da meta europeia de 2050.<\/p>\n\n\n\n<p>Para concretizar estas metas, o PNEC prev\u00ea crescimento expressivo das capacidades instaladas: a solar fotovoltaica dever\u00e1 crescer de 8,4 para 20,8 gigawatts; a e\u00f3lica terrestre, de 6,3 para 10,4 gigawatts; e a e\u00f3lica offshore dever\u00e1 atingir os 2 gigawatts at\u00e9 2030, com um primeiro leil\u00e3o j\u00e1 realizado. O investimento total associado \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no PNEC 2030 est\u00e1 estimado em 75 mil milh\u00f5es de euros para a pr\u00f3xima d\u00e9cada, segundo o Governo. O licenciamento de projetos renov\u00e1veis continua, por\u00e9m, a ser um dos principais estrangulamentos do sector. A Estrutura de Miss\u00e3o para o Licenciamento de Projetos de Energias Renov\u00e1veis 2030 (EMER), criada em mar\u00e7o de 2024, foi desenhada para desburocratizar estes processos &#8211; mas o tempo de implementa\u00e7\u00e3o de grandes projetos de energia \u00e9 longo, e 2030 aproxima-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal tem ainda um desafio espec\u00edfico que o PNEC reconhece: a necessidade de refor\u00e7o das redes de transporte e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica para acomodar a produ\u00e7\u00e3o descentralizada crescente, nomeadamente o autoconsumo solar de fam\u00edlias e empresas. Segundo dados da DGEG, a pot\u00eancia instalada de solar fotovoltaico cresceu 44,7% em 2023 face ao ano anterior, atingindo os 5,6 gigawatts &#8211; um ritmo de crescimento que pressiona as redes existentes. A cria\u00e7\u00e3o de comunidades de energia renov\u00e1vel, incentivada pelo PNEC e pelo quadro europeu, representa uma oportunidade para democratizar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica &#8211; mas tamb\u00e9m exige regula\u00e7\u00e3o \u00e1gil e investimento em infraestrutura que ainda est\u00e1 em curso, segundo a PwC Portugal na an\u00e1lise \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o da RED III.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Dia da Terra entre o s\u00edmbolo e a cr\u00edtica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das acusa\u00e7\u00f5es mais frequentes ao Dia da Terra \u00e9 que se transformou num exerc\u00edcio de &#8220;greenwashing&#8221; coletivo &#8211; um dia em que governos e empresas publicam mensagens de amor ao planeta enquanto continuam, nos restantes 364 dias do ano, a destru\u00ed-lo. A jovem ativista Greta Thunberg disse numa ocasi\u00e3o que a data &#8220;se transformou numa oportunidade para pessoas no poder postarem o seu amor pelo planeta enquanto ao mesmo tempo o destroem em velocidade m\u00e1xima&#8221; &#8211; uma cr\u00edtica citada pela Exame que tem subst\u00e2ncia e merece ser tomada a s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica \u00e9 leg\u00edtima. Mas a hist\u00f3ria do ambientalismo moderno sugere que a mobiliza\u00e7\u00e3o de massa tem consequ\u00eancias reais e mensur\u00e1veis. O primeiro Dia da Terra produziu legisla\u00e7\u00e3o ambiental concreta. A press\u00e3o do movimento verde europeu nas \u00faltimas d\u00e9cadas produziu o Pacto Ecol\u00f3gico Europeu. A COP30, realizada em Bel\u00e9m do Par\u00e1 em novembro de 2025, foi a primeira realizada na Amaz\u00f3nia &#8211; o maior ecossistema tropical do mundo &#8211; e contou com a maior delega\u00e7\u00e3o ind\u00edgena alguma vez presente numa confer\u00eancia clim\u00e1tica da ONU, segundo o Brasil de Fato. O recado era deliberado: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de clima sem falar de florestas, sem falar de biodiversidade, sem falar dos povos que as habitam e protegem. Foi tamb\u00e9m o ano em que todos os pa\u00edses tinham de apresentar novos planos nacionais de a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, mais ambiciosos e mais alinhados com a meta dos 1,5 graus Celsius.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o de escala que a cr\u00edtica ao Dia da Terra muitas vezes subestima. As mudan\u00e7as sist\u00e9micas &#8211; na energia, na alimenta\u00e7\u00e3o, nos transportes, na ind\u00fastria &#8211; dependem de condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e regulat\u00f3rias que s\u00f3 existem quando a opini\u00e3o p\u00fablica as exige. A mobiliza\u00e7\u00e3o de um bilh\u00e3o de pessoas, ainda que imperfeitamente, cria press\u00e3o. E a press\u00e3o, ao longo do tempo, produz resultados: legisla\u00e7\u00e3o, investimentos p\u00fablicos, standards industriais, acordos internacionais. A alternativa &#8211; esperar que os governos ajam sem press\u00e3o popular &#8211; tem 55 anos de evid\u00eancia contra si.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A dimens\u00e3o da terra: muito mais do que energia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Dia da Terra come\u00e7ou, em 1970, como resposta a crises ambientais muito concretas: rios que ardiam de polui\u00e7\u00e3o industrial, smog que sufocava as cidades, ecossistemas destru\u00eddos pela explora\u00e7\u00e3o sem controlo. Cinquenta e cinco anos depois, a data mant\u00e9m-se fiel a essa origem &#8211; mas o \u00e2mbito expandiu-se para abra\u00e7ar a totalidade da crise ambiental contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>A EarthDay.org e as organiza\u00e7\u00f5es que trabalham em torno desta data n\u00e3o limitam o seu apelo \u00e0 energia renov\u00e1vel. A prote\u00e7\u00e3o das florestas, a restaura\u00e7\u00e3o dos solos degradados, a elimina\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e terrestre, a justi\u00e7a clim\u00e1tica para as comunidades mais vulner\u00e1veis: tudo isto faz parte do mandato do Dia da Terra. A campanha de refloresta\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o &#8211; o Canopy Project &#8211; plantou dezenas de milh\u00f5es de \u00e1rvores em todo o mundo desde 2009, segundo o seu relat\u00f3rio anual, trabalhando em comunidades de todas as regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise ambiental \u00e9, no fundo, uma crise de rela\u00e7\u00e3o: a rela\u00e7\u00e3o entre a esp\u00e9cie humana e os sistemas naturais que a sustentam. Durante s\u00e9culos, a civiliza\u00e7\u00e3o industrial operou com base na premissa de que os recursos naturais eram inesgot\u00e1veis e que os res\u00edduos podiam ser depositados na atmosfera, nos oceanos e nos solos sem consequ\u00eancias. Essa premissa revelou-se falsa. O planeta n\u00e3o est\u00e1 em perigo &#8211; o planeta sobreviver\u00e1, como sobreviveu a cinco extin\u00e7\u00f5es em massa anteriores. O que est\u00e1 em perigo \u00e9 a civiliza\u00e7\u00e3o humana tal como a conhecemos, e a maior parte das esp\u00e9cies com as quais partilhamos este mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O planeta que herd\u00e1mos e o que deixaremos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em 55 anos de Dia da Terra, algo mudou profundamente: a consci\u00eancia. A esmagadora maioria das pessoas no mundo reconhece hoje que h\u00e1 uma crise ambiental, que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o reais e causadas pela a\u00e7\u00e3o humana, e que \u00e9 necess\u00e1rio agir urgentemente. Em 1970, essa consci\u00eancia era minorit\u00e1ria e frequentemente ridicularizada. Essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o mudou suficientemente foi a a\u00e7\u00e3o. A dist\u00e2ncia entre o que o IPCC diz que \u00e9 necess\u00e1rio e o que os governos e as economias est\u00e3o a fazer continua a ser enorme. &#8220;O Nosso Poder, O Nosso Planeta&#8221; &#8211; o lema de 2025 &#8211; n\u00e3o \u00e9 apenas um apelo \u00e0 energia renov\u00e1vel. \u00c9 um lembrete de que o poder de transformar o rumo das coisas existe: nos governos que podem mudar pol\u00edticas, nas empresas que podem mudar pr\u00e1ticas, e nos cidad\u00e3os que podem mudar h\u00e1bitos e exigir mudan\u00e7as dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>O planeta n\u00e3o vai esperar. O IPCC avisa que o pico das emiss\u00f5es devia ter ocorrido antes de 2025. Mas o que for feito a partir de hoje determina a diferen\u00e7a entre um futuro dif\u00edcil e um futuro insuport\u00e1vel. Desde que a gente comece hoje, ainda h\u00e1 tempo. Este 22 de abril \u00e9 mais um ponto de virada em que podemos escolher o que somos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinquenta e cinco anos de Dia da Terra ensinaram uma coisa: a mudan\u00e7a n\u00e3o acontece por si s\u00f3. Acontece quando suficientes pessoas, em suficientes lugares, decidem que o mundo pode ser diferente &#8211; e agem em conformidade. Os governos que ratificam acordos clim\u00e1ticos, as empresas que mudam cadeias de valor, os agricultores que adotam pr\u00e1ticas regenerativas, os cidad\u00e3os que pressionam e escolhem e recusam: s\u00e3o todos parte do mesmo movimento. O planeta que deixaremos \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes ser\u00e1 o resultado da soma dessas escolhas, feitas agora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes utilizadas<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>EarthDay.org \u2014 <em>Earth Day 2025: Our Power, Our Planet<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.earthday.org\/earth-day-2025-our-power-our-planet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.earthday.org\/earth-day-2025-our-power-our-planet\/<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA) \u2014 <em>From Taking Stock to Taking Action<\/em> (2024): <a href=\"https:\/\/www.iea.org\/reports\/from-taking-stock-to-taking-action\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.iea.org\/reports\/from-taking-stock-to-taking-action<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>IPCC \u2014 <em>Relat\u00f3rio de S\u00edntese AR6<\/em> (2023): <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/syr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/syr\/<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>WRI Brasil \u2014 <em>10 conclus\u00f5es do Relat\u00f3rio do IPCC sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2023<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.wribrasil.org.br\/noticias\/10-conclusoes-do-relatorio-do-ipcc-sobre-mudancas-climaticas-de-2023\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.wribrasil.org.br\/noticias\/10-conclusoes-do-relatorio-do-ipcc-sobre-mudancas-climaticas-de-2023<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>DGEG \u2014 <em>Energia em N\u00fameros, edi\u00e7\u00e3o 2025<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.dgeg.gov.pt\/pt\/destaques\/energia-em-numeros-edicao-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.dgeg.gov.pt\/pt\/destaques\/energia-em-numeros-edicao-2025\/<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>Governo de Portugal \u2014 <em>PNEC 2030 aprovado sem votos contra<\/em> (dezembro 2024): <a href=\"https:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/gc24\/comunicacao\/comunicado?i=plano-de-energia-e-clima-2030-com-metas-mais-ambiciosas-aprovado-sem-votos-contra-no-parlamento\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/gc24\/comunicacao\/comunicado?i=plano-de-energia-e-clima-2030-com-metas-mais-ambiciosas-aprovado-sem-votos-contra-no-parlamento<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>PwC Portugal \u2014 <em>RED III em Portugal: novas metas renov\u00e1veis at\u00e9 2030<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.pwc.pt\/pt\/temas-actuais\/transposicao-da-diretiva-red-iii-em-portugal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.pwc.pt\/pt\/temas-actuais\/transposicao-da-diretiva-red-iii-em-portugal.html<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>Exame \u2014 <em>O que \u00e9 o Dia da Terra e por que este ano \u00e9 crucial para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/em>: <a href=\"https:\/\/exame.com\/esg\/o-que-e-o-dia-da-terra-e-por-que-este-ano-e-crucial-para-a-acao-climatica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/exame.com\/esg\/o-que-e-o-dia-da-terra-e-por-que-este-ano-e-crucial-para-a-acao-climatica\/<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>National Geographic Brasil \u2014 <em>Dia da Terra: 3 fatos que mostram o progresso da energia renov\u00e1vel<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2025\/04\/dia-da-terra-3-fatos-que-mostram-o-progresso-da-energia-renovavel-no-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/2025\/04\/dia-da-terra-3-fatos-que-mostram-o-progresso-da-energia-renovavel-no-mundo<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>DGAV \u2014 <em>22 de abril: Dia Mundial da Terra<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.dgav.pt\/destaques\/noticias\/22-de-abril-dia-mundial-da-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.dgav.pt\/destaques\/noticias\/22-de-abril-dia-mundial-da-terra\/<\/a> <\/li>\n\n\n\n<li>Brasil de Fato \u2014 <em>COP30, defensores amea\u00e7ados<\/em> (citado para contexto da COP30 em Bel\u00e9m) ClimaInfo \u2014 <em>Meta de triplicar fontes renov\u00e1veis no mundo at\u00e9 2030 \u00e9 fact\u00edvel, afirma IEA<\/em>: <a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/09\/24\/meta-de-triplicar-fontes-renovaveis-no-mundo-ate-2030-e-factivel-afirma-iea\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/09\/24\/meta-de-triplicar-fontes-renovaveis-no-mundo-ate-2030-e-factivel-afirma-iea\/<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planeta est\u00e1 mais quente, mais degradado e mais pressionado do que nunca. 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