{"id":1962,"date":"2026-05-22T17:38:39","date_gmt":"2026-05-22T16:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/?p=1962"},"modified":"2026-05-22T17:42:05","modified_gmt":"2026-05-22T16:42:05","slug":"16-pegada-semanal-8-a-15-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/pegada-semanal\/16-pegada-semanal-8-a-15-de-maio\/","title":{"rendered":"#16 Pegada Semanal \u2013 8 a 15 de maio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom dia, e bem-vindos ao Pegada Semanal. Eu sou a Alexandra Costa e esta foi uma semana em que o metano entrou definitivamente na conversa sobre o clima &#8211; com uma ferramenta nova que muda as regras da transpar\u00eancia a n\u00edvel global. Na Europa, a batalha pelo or\u00e7amento comunit\u00e1rio p\u00f3s-2027 est\u00e1 a revelar o peso pol\u00edtico que o clima tem &#8211; ou n\u00e3o tem &#8211; nas prioridades dos Estados-Membros. E em Portugal, chega-nos uma data que dever\u00edamos todos conhecer de cor: o Dia da Sobrecarga. O momento do ano em que o pa\u00eds j\u00e1 gastou tudo o que a Terra consegue regenerar num ano inteiro. Este ano, chegou a 7 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito para explorar. Vamos a isso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: #16 Pegada Semanal \u2013 8 a 15 de maio\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/11AjqiFiaYNRH9xY2uj314?si=c5954d6c91564d01&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A era das emiss\u00f5es de metano invis\u00edveis chegou ao fim<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria mais importante desta semana a n\u00edvel global chegou no dia 4 de maio, a partir de Paris, onde a Fran\u00e7a acolhia um evento de alto n\u00edvel sobre metano no quadro da sua presid\u00eancia do G7. O an\u00fancio foi feito pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente &#8211; a UNEP &#8211; e representa uma mudan\u00e7a estrutural na forma como o mundo monitoriza um dos gases com efeito de estufa mais potentes que existem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sistema de Alerta e Resposta ao Metano da UNEP &#8211; conhecido pela sigla MARS &#8211; vai agora abranger, pela primeira vez, as minas de carv\u00e3o e as instala\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de res\u00edduos, incluindo aterros. At\u00e9 agora, o sistema concentrava-se exclusivamente no sector do petr\u00f3leo e g\u00e1s. Esta expans\u00e3o \u00e9 significativa porque a an\u00e1lise feita pela UNEP aos 50 maiores emissores mundiais de metano revelou que 22 eram minas de carv\u00e3o e 11 eram instala\u00e7\u00f5es de res\u00edduos ou aterros. Por outras palavras, dois sectores inteiros estavam a emitir metano em volumes potencialmente enormes, sem que houvesse qualquer sistema internacional de alerta e press\u00e3o para corrigir as fugas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O metano \u00e9 um g\u00e1s com efeito de estufa que, \u00e0 escala de 20 anos, \u00e9 mais de 80 vezes mais potente do que o di\u00f3xido de carbono. A boa not\u00edcia \u00e9 que \u00e9 tamb\u00e9m muito mais ef\u00e9mero &#8211; permanece na atmosfera cerca de 12 anos, contra s\u00e9culos para o CO<sub>2<\/sub>. O que significa que cada tonelada de metano que se evita ou que se corrige rapidamente tem um impacto imediato no arrefecimento do planeta. As redu\u00e7\u00f5es de metano s\u00e3o, nas palavras do diretor de Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas da UNEP, Martin Krause, \u201c<em>o travo mais r\u00e1pido que temos no aquecimento global<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo sistema usa 35 instrumentos satelit\u00e1rios para detetar superemiss\u00f5es &#8211; fontes humanas de metano t\u00e3o grandes que s\u00e3o vis\u00edveis do espa\u00e7o. Desde o seu lan\u00e7amento em 2023, o MARS j\u00e1 ajudou a detetar e mitigar 41 fontes distintas de superemiss\u00e3o em 11 pa\u00edses, correspondentes a 1,2 milh\u00f5es de toneladas de metano &#8211; o equivalente clim\u00e1tico das emiss\u00f5es anuais de quase 24 milh\u00f5es de carros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que muda agora \u00e9 a escala da transpar\u00eancia. A UNEP lan\u00e7ou simultaneamente uma Base de Dados do Metano do Carv\u00e3o, com estimativas de emiss\u00f5es para quase 250 minas, cobrindo mais de metade da produ\u00e7\u00e3o mundial de carv\u00e3o metal\u00fargico. Aterros e instala\u00e7\u00f5es de res\u00edduos tamb\u00e9m entram agora no radar. E, em conjunto com a Ag\u00eancia Internacional de Energia, foi publicado um Guia de Resposta MARS &#8211; um manual passo a passo para que os governos saibam como verificar emiss\u00f5es, mobilizar operadores e acompanhar as mitiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra francesa respons\u00e1vel pelo dossier, Monique Barbut, foi direta ao enquadrar a not\u00edcia: reduzir as emiss\u00f5es de metano n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o clim\u00e1tica &#8211; \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a energ\u00e9tica. E nessa dupla dimens\u00e3o que o an\u00fancio ganha ainda mais peso.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O metano chegou ao topo da agenda do G7 &#8211; e o que isso significa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha da Fran\u00e7a de colocar o metano no centro da agenda do G7 n\u00e3o \u00e9 acidental. \u00c9 um sinal de que, ap\u00f3s anos em que o debate clim\u00e1tico se concentrou quase exclusivamente no CO2, h\u00e1 um reconhecimento crescente de que as redu\u00e7\u00f5es de metano s\u00e3o a via mais r\u00e1pida para travar o aquecimento nos pr\u00f3ximos anos &#8211; precisamente enquanto se constroem as infraestruturas de descarboniza\u00e7\u00e3o de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um n\u00famero que ajuda a perceber a dimens\u00e3o do problema: estima-se que as emiss\u00f5es de metano representem cerca de um ter\u00e7o do aquecimento que j\u00e1 vivemos desde a era pr\u00e9-industrial. Reduzir o metano n\u00e3o substitui a redu\u00e7\u00e3o do CO<sub>2 <\/sub>&#8211; mas pode comprar tempo cr\u00edtico para que as renov\u00e1veis e a efici\u00eancia energ\u00e9tica cheguem \u00e0 escala necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As negocia\u00e7\u00f5es de Santa Marta, na Col\u00f4mbia, no final de abril, inclu\u00edram precisamente o compromisso de trabalhar em mecanismos de redu\u00e7\u00e3o de metano com car\u00e1cter vinculativo. O an\u00fancio da UNEP em Paris vem refor\u00e7ar esse caminho com infraestrutura t\u00e9cnica concreta: j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alegar ignor\u00e2ncia sobre onde o metano est\u00e1 a escapar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A batalha do or\u00e7amento europeu: quanto vale o clima para a Europa?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta semana, a aten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Bruxelas esteve centrada numa das negocia\u00e7\u00f5es mais complexas e mais longas da pol\u00edtica europeia: o Quadro Financeiro Plurianual, o or\u00e7amento de longo prazo da Uni\u00e3o Europeia para o per\u00edodo 2028-2034. E o que est\u00e1 a acontecer nestas negocia\u00e7\u00f5es diz muito sobre o peso real que o clima tem nas prioridades pol\u00edticas do continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 28 de abril &#8211; portanto na semana anterior, mas com impacto medi\u00e1tico que se prolongou esta semana &#8211; o Parlamento Europeu aprovou, com 370 votos a favor e 201 contra, o seu relat\u00f3rio intercalar sobre o or\u00e7amento 2028-2034. O PE pede um total de 1,27 por cento do Rendimento Nacional Bruto da UE em financiamento de programas &#8211; cerca de 1.789 mil milh\u00f5es de euros em pre\u00e7os de 2025 &#8211; o que representa um aumento de cerca de 10 por cento face \u00e0 proposta da Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do lado verde do or\u00e7amento, h\u00e1 um dado que preocupa as organiza\u00e7\u00f5es ambientais: a proposta da Comiss\u00e3o para o pr\u00f3ximo quadro financeiro foi criticada pelo Instituto Boell e pelo Bureau Europeu do Ambiente por \u201c<em>colocar o clima e o ambiente em segundo plano<\/em>\u201d, por \u201c<em>inflar as estimativas de despesa verde<\/em>\u201d e por enfraquecer salvaguardas ambientais atrav\u00e9s da flexibiliza\u00e7\u00e3o e da fus\u00e3o de programas. A preocupa\u00e7\u00e3o central \u00e9 que o novo mecanismo de financiamento &#8211; os chamados Planos Nacionais e Regionais de Parceria &#8211; concentra demasiado poder nos governos nacionais e na Comiss\u00e3o, reduzindo o papel das regi\u00f5es e dos munic\u00edpios na execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma nova prioridade que entrou neste or\u00e7amento com for\u00e7a: a defesa. O Fundo Europeu de Defesa e a mobilidade militar recebem um aumento de dez vezes face ao per\u00edodo anterior &#8211; uma resposta direta a amea\u00e7as de seguran\u00e7a na Europa. Para os ambientalistas, o risco \u00e9 que o financiamento da transi\u00e7\u00e3o verde fique comprimido entre as novas exig\u00eancias de defesa e a resist\u00eancia dos Estados-Membros contribuintes l\u00edquidos a aumentos or\u00e7amentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A corelatora do Parlamento, Carla Tavares &#8211; eurodeputada portuguesa &#8211; foi direta sobre o risco de centralizar o poder: \u201c<em>Sou a favor da simplifica\u00e7\u00e3o, claro. Mas simplifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode significar recentraliza\u00e7\u00e3o e contornar os territ\u00f3rios<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta negocia\u00e7\u00e3o vai durar meses. Mas os sinais desta semana sugerem que a luta pelo financiamento da transi\u00e7\u00e3o verde dentro do or\u00e7amento europeu vai ser t\u00e3o importante para o clima como qualquer acordo internacional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A temporada de inc\u00eandios florestais europeia est\u00e1 a come\u00e7ar &#8211; e 2026 pode ser cr\u00edtica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nota que liga o europeu ao portugu\u00eas: maio \u00e9 o m\u00eas em que a Europa come\u00e7a a preparar-se para a temporada de inc\u00eandios florestais, e este ano os sinais s\u00e3o particularmente preocupantes. Em toda a bacia mediterr\u00e2nica, as temperaturas de primavera est\u00e3o acima das m\u00e9dias hist\u00f3ricas. Em Portugal, a acumula\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel florestal ap\u00f3s as tempestades do in\u00edcio do ano foi identificada pelos respons\u00e1veis de prote\u00e7\u00e3o civil como um facto de risco excecional para o ver\u00e3o de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Comiss\u00e3o Europeia refor\u00e7ou a sua frota rescEU com novos meios a\u00e9reos, e est\u00e1 a construir o novo hub europeu de combate a inc\u00eandios em Chipre. Mas a mensagem que chega dos especialistas \u00e9 clara: nenhum sistema de resposta substitui a preven\u00e7\u00e3o. E a preven\u00e7\u00e3o faz-se agora, em maio, antes de o fogo come\u00e7ar. Voltaremos a este tema nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Dia da Sobrecarga de Portugal: 7 de maio de 2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Portugal, a not\u00edcia ambiental mais impactante desta semana chegou a 7 de maio, numa data que deveria ter mais aten\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica do que costuma ter. Foi o Dia da Sobrecarga de Portugal &#8211; o ponto do calend\u00e1rio em que o pa\u00eds j\u00e1 consumiu todos os recursos naturais que a Terra consegue regenerar num ano inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados foram divulgados pela associa\u00e7\u00e3o ZERO &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Sistema Terrestre Sustent\u00e1vel &#8211; em parceria com a Global Footprint Network. A conclus\u00e3o \u00e9 simples e perturbadora: se toda a popula\u00e7\u00e3o mundial consumisse recursos ao ritmo m\u00e9dio dos portugueses, a humanidade precisaria de 2,9 planetas para se sustentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma ligeira melhoria face ao ano anterior &#8211; em 2025, o Dia da Sobrecarga de Portugal chegou a 5 de maio, dois dias mais cedo. Este ano, chegou a 7 de maio. Dois dias de progresso. Parece pouco &#8211; e \u00e9 pouco. Mas s\u00e3o dois dias na dire\u00e7\u00e3o certa, numa tend\u00eancia que durante anos foi de agravamento. E a ZERO deixa claro que a origem do d\u00e9fice ambiental est\u00e1 no modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo: a alimenta\u00e7\u00e3o responde por cerca de 30 por cento da pegada ecol\u00f3gica nacional, e a mobilidade por cerca de 18 por cento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale a pena comparar com outros pa\u00edses. Este ano, Portugal ficou perto da m\u00e9dia europeia: a Uni\u00e3o Europeia como bloco atingiu o seu Dia da Sobrecarga a 3 de maio &#8211; quatro dias antes de Portugal. O pa\u00eds que esgotou os recursos mais rapidamente foi o Qatar, a 4 de Fevereiro. O pa\u00eds da UE que melhor gere os seus recursos \u00e9 a Hungria, com o Dia da Sobrecarga previsto para 24 de Junho. A n\u00edvel mundial, o \u00faltimo ser\u00e1 Honduras, a 27 de Novembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que fazer com esta informa\u00e7\u00e3o? A ZERO \u00e9 objetiva: reduzir a prote\u00edna animal na dieta, usar transportes p\u00fablicos e modos suaves de mobilidade, e consumir de forma mais circular &#8211; reutilizando, reparando, comprando em segunda m\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso parar de viver. \u00c9 preciso consumir menos e com mais consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Portugal quer ensinar sustentabilidade do jardim de inf\u00e2ncia \u00e0 vida adulta: ENEA 2030 em consulta p\u00fablica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda not\u00edcia importante desta semana em Portugal passou mais despercebida do que merecia, mas tem implica\u00e7\u00f5es de longo prazo para a forma como o pa\u00eds educa os seus cidad\u00e3os em mat\u00e9ria ambiental. A 4 de maio, a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente abriu a consulta p\u00fablica da nova Estrat\u00e9gia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental &#8211; a ENEA 2030.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta estrat\u00e9gia, que estar\u00e1 em consulta at\u00e9 16 de Junho no portal Participa.pt, define as orienta\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o ambiental em Portugal at\u00e9 2030. O documento prop\u00f5e 7 princ\u00edpios orientadores, 6 eixos tem\u00e1ticos, 3 dimens\u00f5es estrat\u00e9gicas e 21 medidas. A ambi\u00e7\u00e3o declarada \u00e9 transformadora: a estrat\u00e9gia define a educa\u00e7\u00e3o ambiental como \u201c<em>um processo e pr\u00e1tica transformadora que, de forma \u00e9tica, participativa e inclusiva, constr\u00f3i uma cidadania justa e sustent\u00e1vel<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que muda face \u00e0 vers\u00e3o anterior &#8211; a ENEA 2020, que vigorou desde 2017 &#8211; \u00e9 sobretudo a amplitude: a nova estrat\u00e9gia quer que a educa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o seja apenas uma mat\u00e9ria escolar, mas um processo ao longo de toda a vida, envolvendo cidad\u00e3os, empresas, autarquias e sociedade civil. \u00c9 uma vis\u00e3o mais ambiciosa e mais realista ao mesmo tempo &#8211; porque sabemos que as grandes mudan\u00e7as de comportamento ambiental raramente acontecem por decreto, mas sim atrav\u00e9s de uma literacia constru\u00edda ao longo de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Gra\u00e7a Carvalho, foi clara ao apresentar o processo: \u201c<em>Portugal precisa de novos projetos e iniciativas que contribuam para sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o e motivar os mais jovens a agir em prol do ambiente<\/em>\u201d. At\u00e9 16 de Junho, qualquer cidad\u00e3o ou entidade pode contribuir para moldar esta estrat\u00e9gia. \u00c9 uma das consultas p\u00fablicas mais diretamente relevantes para o dia a dia das pessoas que temos tido este ano.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os aterros portugueses est\u00e3o a encher &#8211; e o tempo para agir \u00e9 agora<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nota final que liga o global ao local, a prop\u00f3sito do an\u00fancio da UNEP sobre metano em aterros. Em Portugal, a maioria dos aterros sanit\u00e1rios est\u00e1 pr\u00f3xima da satura\u00e7\u00e3o. A ZERO estima que o pa\u00eds produz cerca de 160 mil toneladas de res\u00edduos de equipamentos el\u00e9tricos e eletr\u00f3nicos por ano &#8211; mas s\u00f3 recolheu cerca de 65 mil toneladas em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aterros s\u00e3o fontes significativas de metano &#8211; exatamente o g\u00e1s que a UNEP passou a monitorizar com sat\u00e9lites nesta semana. A mensagem \u00e9 direta: reduzir o que vai para o aterro \u00e9 simultaneamente uma quest\u00e3o de clima, de sa\u00fade p\u00fablica e de recursos. O sistema Volta, que arrancou em Abril, \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o certa para as embalagens de bebidas. Mas h\u00e1 muito mais por fazer, da repara\u00e7\u00e3o de eletr\u00f3nicos \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio alimentar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de encerrar, um momento de reflex\u00e3o sobre o fio condutor desta semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre o an\u00fancio da UNEP sobre metano, o Dia da Sobrecarga de Portugal e a nova Estrat\u00e9gia de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental que me parece importante nomear. Todas estas hist\u00f3rias falam, no fundo, do mesmo problema: a dist\u00e2ncia entre o que sabemos e o que fazemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos h\u00e1 d\u00e9cadas que emitimos metano em excesso &#8211; mas s\u00f3 agora temos sat\u00e9lites a monitorizar aterros e minas de carv\u00e3o. Sabemos h\u00e1 d\u00e9cadas que Portugal consome mais recursos do que a Terra pode regenerar &#8211; mas a melhoria este ano foi de dois dias. Sabemos h\u00e1 d\u00e9cadas que a educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 fundamental &#8211; mas a estrat\u00e9gia nacional continua a ser renovada de cinco em cinco anos, como se a urg\u00eancia fosse a mesma de sempre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que mudou, e o que continua a mudar, \u00e9 a qualidade e a velocidade da informa\u00e7\u00e3o. Os sat\u00e9lites do MARS n\u00e3o deixam esconder as emiss\u00f5es. Os dados da Global Footprint Network transformam o abstracto em concreto &#8211; um dia no calend\u00e1rio. A consulta p\u00fablica da ENEA d\u00e1 voz a quem quer que a pol\u00edtica ambiental v\u00e1 mais longe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Informa\u00e7\u00e3o mais precisa, mais r\u00e1pida e mais transparente n\u00e3o resolve o problema por si s\u00f3. Mas sem ela, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. E nessa base, esta semana foi uma semana de progresso real.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E chegamos ao fim desta edi\u00e7\u00e3o do Pegada Semanal. Obrigada por nos acompanharem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se este epis\u00f3dio vos fez pensar &#8211; sobre o metano que n\u00e3o vemos, sobre os recursos que j\u00e1 gast\u00e1mos, sobre o tipo de educa\u00e7\u00e3o ambiental que queremos para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es &#8211; ent\u00e3o cumpriu o seu prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partilhem com quem acham que devia ouvir. Eu sou a Alexandra Costa. At\u00e9 para a semana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: #16 Pegada Semanal \u2013 8 a 15 de maio\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/11AjqiFiaYNRH9xY2uj314?si=d1cc5f0a12e1484a&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom dia, e bem-vindos ao Pegada Semanal. 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