{"id":2113,"date":"2026-06-08T08:26:00","date_gmt":"2026-06-08T07:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/?p=2113"},"modified":"2026-06-05T15:28:47","modified_gmt":"2026-06-05T14:28:47","slug":"microplasticos-invadem-praia-barra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/ambiental\/microplasticos-invadem-praia-barra\/","title":{"rendered":"A areia que n\u00e3o se v\u00ea: micropl\u00e1sticos invadem a Praia da Barra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Praia da Barra, em Aveiro, \u00e9 uma das mais frequentadas do litoral centro de Portugal. Areias extensas, ondas atl\u00e2nticas, infraestruturas balneares consolidadas. O que os olhos n\u00e3o veem &#8211; e um novo estudo da <a href=\"https:\/\/www.ua.pt\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.ua.pt\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Aveiro<\/a> tornou vis\u00edvel &#8211; \u00e9 o que existe misturado nessa areia: <a href=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/uncategorized\/microplasticos-universidade-coimbra\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/uncategorized\/microplasticos-universidade-coimbra\/\" rel=\"noreferrer noopener\">micropl\u00e1sticos<\/a>, em quantidades que os investigadores classificam como significativas e que apontam para uma contamina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ainda muito pouco monitorizada nas praias portuguesas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0025326X21002988#f0010\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0025326X21002988#f0010\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>, publicado na revista cient\u00edfica Marine Pollution Bulletin e assinado por uma equipa do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Qu\u00edmica da Universidade de Aveiro, recolheu 33 amostras de sedimentos na Praia da Barra e encontrou uma concentra\u00e7\u00e3o mediana de 100 part\u00edculas de micropl\u00e1sticos por quilograma de sedimento. Os valores variaram entre 15 e 320 part\u00edculas por quilograma, consoante a zona de amostragem &#8211; sendo as concentra\u00e7\u00f5es mais elevadas registadas junto \u00e0 linha de \u00e1gua, onde as ondas depositam preferencialmente este tipo de res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase todas as part\u00edculas identificadas &#8211; 99,5% do total &#8211; tinham menos de um mil\u00edmetro. S\u00e3o, na pr\u00e1tica, invis\u00edveis a olho nu. Transparentes ou pretas na sua maioria, misturam-se com os gr\u00e3os de areia sem deixar qualquer sinal vis\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o. O banhista que estende a toalha na Barra n\u00e3o v\u00ea nada de anormal. A areia parece limpa. N\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pol\u00edmeros identificados s\u00e3o os do quotidiano dom\u00e9stico e industrial: polietileno (30%), presente em sacos e embalagens; polipropileno (27%), comum em recipientes e tampas; poliestireno (18%), o material da esferovite; nylon (12%), associado a redes de pesca e t\u00eaxteis; e poli\u00e9ster (6%), omnipresente nas roupas sint\u00e9ticas. \u00c9 o invent\u00e1rio do pl\u00e1stico que usamos todos os dias, fragmentado e redistribu\u00eddo pelo oceano at\u00e9 chegar \u00e0 areia onde as crian\u00e7as brincam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas principais fontes de contamina\u00e7\u00e3o identificadas pelos investigadores s\u00e3o o turismo balnear e o tr\u00e1fego mar\u00edtimo &#8211; o porto de Aveiro e a barra que lhe d\u00e1 acesso est\u00e3o precisamente na vizinhan\u00e7a imediata da praia estudada. Esta combina\u00e7\u00e3o de press\u00f5es torna a Praia da Barra um caso de estudo particularmente representativo do litoral atl\u00e2ntico portugu\u00eas, onde a atividade portu\u00e1ria e o turismo de massas coexistem em zonas costeiras de elevado valor ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O risco n\u00e3o \u00e9 apenas ambiental &#8211; \u00e9 alimentar. Os organismos marinhos ingerem micropl\u00e1sticos por n\u00e3o os conseguirem distinguir do pl\u00e2ncton e de outros alimentos naturais. Essas part\u00edculas acumulam-se nos tecidos e sobem na cadeia tr\u00f3fica. Peixes, bivalves e crust\u00e1ceos capturados nas costas portuguesas &#8211; e consumidos nas mesas portuguesas &#8211; podem ser vetores de exposi\u00e7\u00e3o humana a micropl\u00e1sticos e aos contaminantes qu\u00edmicos que estas part\u00edculas adsorvem. A investiga\u00e7\u00e3o neste dom\u00ednio est\u00e1 ainda em curso, mas os sinais de alerta acumulam-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa da Universidade de Aveiro, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade de Sfax, na Tun\u00edsia, sublinha a necessidade urgente de monitoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das praias portuguesas. Portugal tem 943 quil\u00f3metros de costa continental, mais de 500 praias classificadas e uma Zona Econ\u00f3mica Exclusiva de 1,7 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados &#8211; a terceira maior da Uni\u00e3o Europeia. A dimens\u00e3o do mar portugu\u00eas \u00e9 um ativo estrat\u00e9gico e um motivo de orgulho nacional. \u00c9 tamb\u00e9m uma responsabilidade que obriga a conhecer o estado real dos seus sedimentos, das suas \u00e1guas e dos seus ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia em que o mundo assinala o Dia Mundial dos Oceanos, 8 de junho &#8211; a mensagem deste estudo \u00e9 direta: a polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos n\u00e3o \u00e9 um problema long\u00ednquo dos grandes oceanos. Est\u00e1 na areia de Aveiro. Est\u00e1, muito provavelmente, na areia de todas as praias atl\u00e2nticas do pa\u00eds. E n\u00e3o desaparece com a mar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A areia que n\u00e3o se v\u00ea: micropl\u00e1sticos invadem a Praia da Barra<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2114,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[17,64,98,4],"tags":[],"class_list":["post-2113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiental","category-em-foco","category-estudos","category-ocean"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2113"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2115,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2113\/revisions\/2115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}