{"id":2212,"date":"2026-06-23T08:49:00","date_gmt":"2026-06-23T07:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/?p=2212"},"modified":"2026-06-23T07:00:55","modified_gmt":"2026-06-23T06:00:55","slug":"mercado-trabalho-economia-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/ambiental\/mercado-trabalho-economia-azul\/","title":{"rendered":"1.700 ofertas, 76 pa\u00edses: o retrato do mercado de trabalho da economia azul"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mais de 1.700 ofertas de emprego analisadas. Setenta e seis pa\u00edses cobertos. Dezoito \u00e1reas tem\u00e1ticas mapeadas. O Blue Economy Jobs Report 2026, publicado a 15 de junho pela plataforma internacional Blue-jobs, \u00e9 o retrato mais abrangente alguma vez produzido sobre o mercado de trabalho da economia azul &#8211; as profiss\u00f5es, os sal\u00e1rios, as compet\u00eancias e as tend\u00eancias que est\u00e3o a moldar o sector que combina os oceanos com a economia. O diagn\u00f3stico \u00e9 claro: a economia azul est\u00e1 a crescer, a diversificar-se e a internacionalizar-se, mas o mercado de trabalho que a suporta continua fragmentado, com baixa transpar\u00eancia salarial, t\u00edtulos de emprego gen\u00e9ricos e uma escassez crescente de profissionais com o perfil h\u00edbrido &#8211; t\u00e9cnico, digital, verde e transversal &#8211; que o sector cada vez mais exige.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/em-foco\/economia-azul-oceano\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/em-foco\/economia-azul-oceano\/\" rel=\"noreferrer noopener\">economia azul <\/a>europeia &#8211; o conjunto de atividades econ\u00f3micas ligadas aos oceanos, mares e zonas costeiras &#8211; gerou em 2023 um valor acrescentado bruto de 263 mil milh\u00f5es de euros e empregou 4,89 milh\u00f5es de pessoas na Uni\u00e3o Europeia, segundo os dados da Comiss\u00e3o Europeia que o relat\u00f3rio cita. O valor duplicou desde 1995. A energia renov\u00e1vel marinha &#8211; o segmento de crescimento mais r\u00e1pido &#8211; passou de 65 milh\u00f5es de euros de volume de neg\u00f3cios em 2009 para 4,1 mil milh\u00f5es de euros em 2022. E a OCDE estima que a contribui\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/ambiental\/dia-europeu-do-mar\/\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/ambiental\/dia-europeu-do-mar\/\" rel=\"noreferrer noopener\">economia oce\u00e2nica<\/a> para o PIB global poder\u00e1 dobrar novamente at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que distingue o <a href=\"https:\/\/blue-jobs.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/The-Blue-Economy-Jobs-Report-2026-Edition.pdf?utm_source=mailchimp&amp;utm_campaign=03009032e1f0&amp;utm_medium=page\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/blue-jobs.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/The-Blue-Economy-Jobs-Report-2026-Edition.pdf?utm_source=mailchimp&amp;utm_campaign=03009032e1f0&amp;utm_medium=page\" rel=\"noreferrer noopener\">Blue Economy Jobs Report 2026 <\/a>da maioria dos estudos sobre este sector \u00e9 o foco no lado humano desta expans\u00e3o: as pessoas que trabalham nele, as compet\u00eancias que precisam, as condi\u00e7\u00f5es em que trabalham, o que ganham e o que os empregadores procuram quando publicam uma oferta de emprego. \u00c9 uma perspetiva que falta frequentemente no debate sobre a economia azul, dominado por dados de valor acrescentado, capacidade instalada e volume de investimento, mas raramente informado por dados robustos sobre o mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio foi elaborado por Celia Murcia e Sara H. G\u00f3mez, da plataforma de recrutamento e intelig\u00eancia de mercado Blue-jobs, com sede em Barcelona, e baseou-se na an\u00e1lise de mais de 1.700 an\u00fancios de emprego publicados atrav\u00e9s da plataforma e de outras fontes como o LinkedIn e os sites de organiza\u00e7\u00f5es do sector. Os dados cobrem 76 pa\u00edses, com maior concentra\u00e7\u00e3o na Europa, e foram analisados por m\u00e9todos estat\u00edsticos descritivos. A metodologia tem limita\u00e7\u00f5es reconhecidas pelos pr\u00f3prios autores &#8211; alguns sectores e regi\u00f5es podem estar sub-representados, e os dados refletem principalmente vacaturas de n\u00edvel m\u00e9dio a elevado publicadas em plataformas internacionais. Mas dentro desse \u00e2mbito, produz o mapa mais completo dispon\u00edvel do que o mercado de trabalho da economia azul parece hoje.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Onde est\u00e3o os empregos: Europa domina, mas o mundo inteiro est\u00e1 no mapa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das ofertas analisadas coloca o Reino Unido, a Fran\u00e7a e a Espanha como os tr\u00eas pa\u00edses europeus com maior n\u00famero de oportunidades &#8211; um padr\u00e3o que reflete tanto a concentra\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o marinha, organiza\u00e7\u00f5es ambientais e ind\u00fastrias mar\u00edtimas nestes pa\u00edses como, parcialmente, o vi\u00e9s metodol\u00f3gico para plataformas de recrutamento internacionais e angl\u00f3fonas. Fora da Europa, os Estados Unidos e o Canad\u00e1 t\u00eam representa\u00e7\u00e3o significativa em sectores como a investiga\u00e7\u00e3o marinha, a consultoria ambiental e a tecnologia oce\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribui\u00e7\u00e3o por sector revela que a Conserva\u00e7\u00e3o Marinha, Ecologia e Vida Selvagem \u00e9 a \u00e1rea com maior n\u00famero de vacaturas a n\u00edvel global, representando entre 16% e 40% das ofertas consoante a regi\u00e3o. A Pesca e Aquicultura \u00e9 particularmente forte em \u00c1frica, Oce\u00e2nia e \u00c1sia, refletindo o papel central destes sectores na seguran\u00e7a alimentar e nos meios de vida locais. A Gest\u00e3o, Consultoria e Neg\u00f3cios emerge como uma \u00e1rea de crescimento transversal, especialmente na Europa e em \u00c1frica &#8211; sinal de que \u00e0 medida que os sectores da economia azul maturam, cresce a procura de fun\u00e7\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o, desenvolvimento estrat\u00e9gico e articula\u00e7\u00e3o entre expertise t\u00e9cnica e objetivos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois dados sectoriais s\u00e3o particularmente relevantes para compreender onde a Europa est\u00e1 a liderar: a Biotecnologia Azul concentra aproximadamente 43% de todas as vacaturas globais na Europa, refletindo a presen\u00e7a de infraestruturas de investiga\u00e7\u00e3o consolidadas e ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o em torno de bio-recursos marinhos. E a Energia Renov\u00e1vel Marinha concentra 57% das vacaturas globais na Europa, ligado diretamente \u00e0 maturidade do sector de e\u00f3lica offshore europeu e ao investimento continuado em investiga\u00e7\u00e3o, demonstra\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da cadeia de abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem contrata e quem procura: o ecossistema de empregadores<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos dados mais relevantes do relat\u00f3rio \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o dos empregadores ativos na economia azul, que reflete a natureza intrinsecamente plural do sector. As empresas privadas representam o maior grupo &#8211; operando em energia offshore, engenharia marinha, consultoria ambiental, aquicultura, transporte mar\u00edtimo e tecnologia oce\u00e2nica. Mas os centros de investiga\u00e7\u00e3o e institutos tecnol\u00f3gicos representam uma fatia substancial, refletindo a dimens\u00e3o ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o do sector. As universidades e institui\u00e7\u00f5es de ensino superior t\u00eam igualmente presen\u00e7a expressiva &#8211; crescentemente envolvidas n\u00e3o apenas na educa\u00e7\u00e3o, mas em projetos de inova\u00e7\u00e3o, empreendedorismo e parcerias com a ind\u00fastria e o sector p\u00fablico. E as ONG e organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos s\u00e3o especialmente ativas na conserva\u00e7\u00e3o marinha, governa\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os perfis profissionais mais frequentemente procurados s\u00e3o gestores e coordenadores de projetos, o que o relat\u00f3rio descreve como reflexo do car\u00e1cter altamente colaborativo e orientado para projetos da economia azul, onde muitas atividades s\u00e3o implementadas atrav\u00e9s de projetos internacionais, programas de investiga\u00e7\u00e3o e parcerias multi-ator. A seguir surgem investigadores, cientistas, t\u00e9cnicos e engenheiros, confirmando o car\u00e1cter intensivo em conhecimento e inova\u00e7\u00e3o do sector. Um problema metodol\u00f3gico relevante detetado pelo relat\u00f3rio: 70% dos t\u00edtulos de emprego analisados n\u00e3o permitem classificar claramente o perfil profissional, por recorrerem a termos demasiado gen\u00e9ricos como oficial, especialista ou consultor sem descrever a fun\u00e7\u00e3o real. Esta opacidade reduz a acessibilidade das oportunidades para candidatos e complica a an\u00e1lise do mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trabalho presencial, h\u00edbrido e remoto: a economia azul tem os p\u00e9s no mar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos cap\u00edtulos mais originais do relat\u00f3rio trata as modalidades de trabalho &#8211; uma dimens\u00e3o que a maioria dos estudos de mercado de trabalho ignora, mas que tem implica\u00e7\u00f5es diretas para a atratividade das carreiras e para o acesso ao talento global. O sector \u00e9 maioritariamente presencial: 77% das posi\u00e7\u00f5es analisadas s\u00e3o integralmente on-site, 14,9% s\u00e3o h\u00edbridas e apenas 8,1% s\u00e3o totalmente remotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado n\u00e3o surpreende quem conhece o sector &#8211; laborat\u00f3rios, embarca\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o, plataformas offshore, esta\u00e7\u00f5es de monitoriza\u00e7\u00e3o costeira e instala\u00e7\u00f5es de aquicultura n\u00e3o funcionam \u00e0 dist\u00e2ncia. Mas o relat\u00f3rio identifica nichos importantes de flexibilidade: os pap\u00e9is remotos s\u00e3o mais comuns em literacia oce\u00e2nica, gest\u00e3o e consultoria, pol\u00edtica marinha e energia renov\u00e1vel &#8211; posi\u00e7\u00f5es predominantemente de gabinete, administrativas ou de conce\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. E mesmo em sectores com menos possibilidades de trabalho remoto, h\u00e1 potencial para fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas como especialistas em GIS, especialistas em visualiza\u00e7\u00e3o de dados e desenvolvimento de software.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tens\u00e3o entre as prefer\u00eancias dos candidatos e as ofertas dispon\u00edveis \u00e9 real: no primeiro semestre de 2026, apenas 16% dos candidatos identificaram o trabalho integralmente presencial como a sua prefer\u00eancia principal, e apenas 25% estavam dispostos a considerar fun\u00e7\u00f5es que exigissem presen\u00e7a a tempo inteiro. Esta diverg\u00eancia \u00e9 particularmente relevante para o recrutamento em sectores como a pesca e as energias offshore, onde as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o inerentemente exigentes em termos de mobilidade e presen\u00e7a f\u00edsica. O relat\u00f3rio alerta ainda para uma limita\u00e7\u00e3o importante do trabalho remoto na economia azul: muitas fun\u00e7\u00f5es remotas exigem autoriza\u00e7\u00e3o de trabalho no pa\u00eds do empregador, limitando efetivamente o acesso de candidatos do Sul Global a oportunidades que poderiam, em teoria, realizar a partir de qualquer ponto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sal\u00e1rios: o que o sector paga e o que n\u00e3o quer mostrar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cap\u00edtulo de sal\u00e1rios \u00e9, simultaneamente, um dos mais informativos e um dos mais reveladores de uma disfun\u00e7\u00e3o estrutural do mercado de trabalho da economia azul. Apenas 28% das ofertas de emprego analisadas incluem informa\u00e7\u00e3o salarial &#8211; um n\u00edvel de opacidade que o relat\u00f3rio descreve como particularmente not\u00e1vel num contexto em que a Diretiva Europeia de Transpar\u00eancia Salarial est\u00e1 a criar press\u00e3o crescente para a divulga\u00e7\u00e3o de remunera\u00e7\u00f5es nos an\u00fancios de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o subconjunto de ofertas que divulgam sal\u00e1rios, a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 dominada pela faixa interm\u00e9dia-alta: 46% oferecem entre 2.000 e 4.000 euros mensais, e 36% oferecem acima de 4.000 euros. Apenas 18% ficam abaixo dos 2.000 euros. Este padr\u00e3o sugere que o sector paga de forma competitiva nos n\u00edveis s\u00e9nior e especializado, mas tamb\u00e9m que h\u00e1 um vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o nos dados, dado que os empregadores com sal\u00e1rios mais competitivos podem ser mais propensos a divulg\u00e1-los. A realidade salarial transversal ao sector pode ser mais baixa do que os dados dispon\u00edveis sugerem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sal\u00e1rios mais elevados est\u00e3o associados a posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e gest\u00e3o de programas &#8211; Diretores Executivos, Chief Operating Officers, Gestores S\u00e9niores &#8211; e a perfis na interface entre a ci\u00eancia e a pol\u00edtica, como Consultores de Pol\u00edtica Oce\u00e2nica. Os investigadores especializados em \u00e1reas de nicho &#8211; energia clim\u00e1tica, restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas &#8211; tamb\u00e9m atingem os escal\u00f5es superiores quando combinam qualifica\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas com expertise espec\u00edfica. A mensagem central \u00e9 que as carreiras mais bem remuneradas na economia azul s\u00e3o as que combinam progress\u00e3o de carreira, conjuntos de compet\u00eancias multidisciplinares e envolvimento em sectores com forte relev\u00e2ncia pol\u00edtica e investimento.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Compet\u00eancias que o sector procura: azuis, verdes, digitais e transversais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sec\u00e7\u00e3o mais extensa e analiticamente rica do relat\u00f3rio \u00e9 dedicada ao mapeamento das compet\u00eancias em procura &#8211; organizado num quadro de cinco categorias que o relat\u00f3rio designa como compet\u00eancias azuis, verdes e de sustentabilidade, digitais, transversais e sectoriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As compet\u00eancias azuis &#8211; espec\u00edficas da economia oce\u00e2nica &#8211; s\u00e3o o denominador comum que atravessa todos os sectores sem exce\u00e7\u00e3o. Independentemente de o profissional trabalhar em pesca, energia renov\u00e1vel, conserva\u00e7\u00e3o, biotecnologia, pol\u00edtica ou turismo, os empregadores procuram consistentemente conhecimento dos sistemas marinhos e aqu\u00e1ticos, literacia oce\u00e2nica, legisla\u00e7\u00e3o marinha e governa\u00e7\u00e3o, pensamento sist\u00e9mico azul e inova\u00e7\u00e3o azul. A preval\u00eancia destas compet\u00eancias transversais reflete a crescente consci\u00eancia de que os desafios da economia azul &#8211; das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e0 perda de biodiversidade, dos conflitos de uso do espa\u00e7o mar\u00edtimo \u00e0 gest\u00e3o de recursos &#8211; n\u00e3o podem ser endere\u00e7ados atrav\u00e9s de abordagens disciplinares isoladas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As compet\u00eancias verdes e de sustentabilidade deixaram de ser um nicho das fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o ambiental e conserva\u00e7\u00e3o para se tornarem mainstream. Mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, prote\u00e7\u00e3o ambiental, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, gest\u00e3o baseada em ecossistemas e avalia\u00e7\u00e3o de impacte ambiental aparecem em perfis de engenharia offshore, transporte mar\u00edtimo, pesca, consultoria e desenvolvimento de neg\u00f3cios. A sustentabilidade deixou de ser vista exclusivamente como uma quest\u00e3o de conformidade regulat\u00f3ria, \u00e9 cada vez mais tratada como um driver de inova\u00e7\u00e3o, competitividade e cria\u00e7\u00e3o de valor a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise de dados emergiu como a compet\u00eancia digital mais solicitada em toda a economia azul. Independentemente do sector, os empregadores procuram crescentemente profissionais capazes de recolher, gerir, interpretar e aplicar dados para suportar processos de decis\u00e3o. Esta tend\u00eancia reflete a transforma\u00e7\u00e3o digital do sector: sistemas de observa\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, teledete\u00e7\u00e3o, g\u00e9meos digitais, intelig\u00eancia artificial e plataformas de monitoriza\u00e7\u00e3o automatizada est\u00e3o a gerar volumes de dados sem precedente, e a capacidade de transformar dados em conhecimento acion\u00e1vel tornou-se uma compet\u00eancia nuclear para um n\u00famero crescente de profiss\u00f5es da economia azul. No extremo mais avan\u00e7ado, IA, rob\u00f3tica, sistemas aut\u00f3nomos e g\u00e9meos digitais est\u00e3o a come\u00e7ar a remodelar sectores espec\u00edficos &#8211; tecnologia oce\u00e2nica, transporte mar\u00edtimo, opera\u00e7\u00f5es offshore e engenharia marinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das compet\u00eancias transversais, o pensamento anal\u00edtico e a resolu\u00e7\u00e3o de problemas emergem como as mais consistentemente solicitadas em todos os sectores &#8211; refletindo a natureza cada vez mais complexa, multidisciplinar e rapidamente evolutiva dos desafios da economia azul. A comunica\u00e7\u00e3o e o envolvimento de partes interessadas aparecem em muitos casos quase com tanta frequ\u00eancia quanto as compet\u00eancias t\u00e9cnicas sectoriais, um sinal de que os profissionais da economia azul s\u00e3o crescentemente chamados a atuar como intermedi\u00e1rios entre a ci\u00eancia, a pol\u00edtica e a sociedade, e n\u00e3o apenas como executores de tarefas t\u00e9cnicas especializadas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-left\"><blockquote><p><strong>OS N\u00daMEROS DO BLUE ECONOMY JOBS REPORT 2026<\/strong><br><br>Base de dados: mais de 1.700 ofertas de emprego analisadas, cobrindo 76 pa\u00edses.<br><br>Economia azul europeia (2023): 263 mil milh\u00f5es de euros em GVA; 4,89 milh\u00f5es de pessoas empregadas na UE.<br><br>Sector de crescimento mais r\u00e1pido: energia renov\u00e1vel marinha &#8211; de 65 M\u20ac em 2009 para 4,1 mil milh\u00f5es de euros em 2022.<br><br>\u00c1rea sectorial mais representada globalmente: Conserva\u00e7\u00e3o Marinha, Ecologia e Vida Selvagem (16-40% das vacaturas consoante a regi\u00e3o).<br><br>Lideran\u00e7a europeia: Biotecnologia Azul (43% das vacaturas globais na Europa); Energia Renov\u00e1vel Marinha (57%).<br><br>Modalidade de trabalho: 77% presencial; 14,9% h\u00edbrido; 8,1% totalmente remoto.<br><br>Transpar\u00eancia salarial: apenas 28% das ofertas divulgam informa\u00e7\u00e3o salarial.<br><br>Distribui\u00e7\u00e3o salarial (das ofertas que divulgam): 36% acima de 4.000 \u20ac\/m\u00eas; 46% entre 2.000-4.000 \u20ac\/m\u00eas; 18% abaixo de 2.000 \u20ac\/m\u00eas.<br><br>Clareza dos t\u00edtulos de emprego: apenas 30% permitem identificar claramente o perfil profissional; 70% usam t\u00edtulos gen\u00e9ricos.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que isto significa para Portugal<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Portugal &#8211; com uma das maiores zonas econ\u00f3micas exclusivas da Europa, uma tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de rela\u00e7\u00e3o com o oceano, e uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a em energia renov\u00e1vel que est\u00e1 agora a expandir-se para o e\u00f3lico offshore &#8211; o Blue Economy Jobs Report 2026 \u00e9 simultaneamente um espelho e um desafio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espelho: Portugal est\u00e1 bem posicionado em v\u00e1rios dos sectores onde o relat\u00f3rio identifica maior crescimento de procura de talento &#8211; energia renov\u00e1vel marinha, investiga\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o oceanogr\u00e1fica, conserva\u00e7\u00e3o marinha e gest\u00e3o costeira. O pa\u00eds tem uma rede de institui\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o marinha de refer\u00eancia, como o CIIMAR, o IPMA e o Centro de Ci\u00eancias do Mar, e universidades com programas em ci\u00eancias do mar, engenharia oce\u00e2nica e gest\u00e3o costeira que alimentam o pipeline de talento de que o sector precisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desafio: o relat\u00f3rio documenta que os perfis mais procurados pela economia azul global s\u00e3o cada vez mais h\u00edbridos &#8211; combinando expertise t\u00e9cnica sectorial com compet\u00eancias digitais (an\u00e1lise de dados, GIS, modela\u00e7\u00e3o num\u00e9rica), compet\u00eancias verdes (avalia\u00e7\u00e3o de impacte, adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, gest\u00e3o de ecossistemas) e compet\u00eancias transversais (comunica\u00e7\u00e3o, envolvimento de partes interessadas, gest\u00e3o de projetos internacionais). Este perfil h\u00edbrido exige sistemas de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o que integrem estas dimens\u00f5es de forma deliberada, e o relat\u00f3rio documenta que a maioria dos sistemas nacionais ainda est\u00e1 a responder a esta exig\u00eancia de forma fragmentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio identifica ainda uma oportunidade espec\u00edfica para Portugal que merece aten\u00e7\u00e3o: a baixa transpar\u00eancia salarial no sector, combinada com a escassez documentada de profissionais com o perfil adequado, cria condi\u00e7\u00f5es para que empregadores portugueses da economia azul que apostem na transpar\u00eancia e nas boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho se diferenciem na capta\u00e7\u00e3o de talento &#8211; incluindo talento da di\u00e1spora portuguesa e de outros pa\u00edses europeus. A economia azul est\u00e1 a tornar-se global; os profissionais que ela precisa tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: Blue-jobs \/ The Blue Economy Jobs Report 2026 \/ Comiss\u00e3o Europeia \/ OCDE \/ F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.700 ofertas, 76 pa\u00edses: o retrato do mercado de trabalho da economia azul<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2213,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[17,64,98,44,4],"tags":[],"class_list":["post-2212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiental","category-em-foco","category-estudos","category-news","category-ocean"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2212"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2214,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2212\/revisions\/2214"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/greenocean.pt\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}