Na primeira pessoa… Javad Hatami, CEO da Builtrix
O que é para si a sustentabilidade?
Na minha opinião, a sustentabilidade significa compreender que os recursos que temos na Terra são limitados e que as gerações futuras vão precisar deles tanto como nós. Por isso, temos a responsabilidade de usar o que temos com cuidado e respeito. Seja água, energia, dinheiro, tempo ou natureza, nada disto deve ser dado como garantido. Sustentabilidade é pensar para além de nós próprios, fazer escolhas conscientes hoje e garantir que o mundo que vamos deixar às gerações futuras não seja mais pobre por causa da forma como vivemos.
Que medidas de sustentabilidade pratica no seu quotidiano?
No meu dia a dia, procuro utilizar os recursos com consciência e evitar o desperdício desnecessário. Presto atenção ao meu consumo de energia e água, tento reutilizar e reduzir sempre que possível e faço escolhas conscientes em vez de optar pela conveniência. Também tenho cuidado com a forma como gasto o meu tempo e dinheiro, dando prioridade a coisas que trazem valor a longo prazo em vez de excessos momentâneos. Estas podem parecer pequenas ações, mas para mim refletem uma mentalidade de respeito – usar o que preciso, cuidar do que tenho e ter consciência de que as minhas escolhas hoje têm um impacto que vai para além de mim próprio.
De que forma dissemina informação sobre sustentabilidade (ou hábitos comportamentais sobre) junto de familiares, amigos e colegas?
Procuro partilhar informação sobre sustentabilidade de forma simples e prática, principalmente através de conversas do dia-a-dia, em vez de explicações formais. Com familiares e amigos, foco-me em exemplos da vida real e pequenos hábitos, sem ser moralista ou dizer a alguém o que deve fazer. Com os colegas, dou mais ênfase aos dados e aos factos, porque a informação clara ajuda a eliminar a emoção e a confusão da conversa. Acredito que a sustentabilidade é muito mais eficaz quando baseada em dados fiáveis e resultados reais e não em opiniões. No geral, tento liderar pelo exemplo, manter-me aberto ao diálogo e mostrar que decisões informadas e baseadas em factos tornam a sustentabilidade mais credível e viável.
Qual o seu maior “defeito” (diga-se mau hábito) em termos de sustentabilidade (e que gostaria de corrigir)?
O meu maior defeito em relação à sustentabilidade é que, por vezes, dou prioridade à conveniência em detrimento da intenção. Quando estou ocupado, recorro a soluções rápidas que consomem mais água ou energia ou adio hábitos que seriam mais eficientes a longo prazo. Mesmo consciente do impacto, a comodidade ainda pode dominar em momentos de correria. Vejo isto como um desafio constante e um lembrete de que a sustentabilidade não significa perfeição, mas sim estar atento, corrigir o rumo e tentar fazer melhores escolhas sempre que isso realmente importa.
A empresa onde trabalha tem uma política de sustentabilidade? Que tipo de medidas pratica?
Sim, a Builtrix tem uma política de sustentabilidade, mas, para nós, foca-se menos em declarações formais e mais na forma como operamos na prática. Na Builtrix, a sustentabilidade é, na verdade, o nosso modelo de negócio, e naturalmente procuramos refletir isso também internamente. Trabalhamos de forma digital e com foco no trabalho remoto, o que reduz as deslocações e o consumo de energia relacionado com o escritório. Também nos preocupamos com a forma como utilizamos a tecnologia, dando prioridade à utilização eficiente da cloud para reduzir a nossa pegada digital. Mais importante ainda, o nosso produto principal ajuda os clientes a medir, compreender e reduzir o seu impacto energético e de carbono através de dados, sem a necessidade de hardware adicional ou infraestruturas complexas. De um modo geral, procuramos gerir a empresa com a mesma mentalidade que promovemos junto dos nossos clientes – encarando a ineficiência como um risco e tomando decisões ponderadas e de longo prazo, em vez de decisões de curto prazo.

