#2 Pegada Semanal – 09 a 16 de Janeiro

Olá a todos e bem-vindos a mais um episódio do Pegada Semanal, o seu podcast sobre sustentabilidade. Eu sou a Alexandra Costa e, nesta semana de 9 a 16 de janeiro, o foco esteve na urgência climática, nos desafios regulatórios europeus e, em Portugal, na importância do restauro da natureza.

Começamos pelo panorama mundial, onde a ciência climática continua a dar o tom. Esta semana, cientistas confirmaram que 2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente de sempre, consolidando um período de três anos de calor recorde. Esta notícia serve como um lembrete sombrio da urgência em acelerar a transição energética.

Ainda no plano global, a inovação tecnológica sustentável continua a atrair investimento. A empresa Transition Metal Solutions, por exemplo, fechou uma ronda de financiamento de 6 milhões de dólares para desenvolver uma tecnologia de recuperação de cobre de base biológica, um passo importante para a mineração mais limpa. No entanto, nem tudo são boas notícias: o consumo de carvão na China e na Índia atingiu um novo marco, um sinal de que a dependência de combustíveis fósseis ainda é um desafio monumental para as duas maiores economias emergentes.

Passando para a Europa, a sustentabilidade regulatória está em destaque. O Parlamento Europeu aprovou a reforma Omnibus I, que introduz alterações significativas na Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa, a chamada CSRD. Esta reforma visa aumentar a transparência das empresas sobre o seu impacto ambiental e social, obrigando a uma maior prestação de contas a partir de 2026.

Contudo, os desafios práticos da transição também vieram à tona. No Reino Unido, um tribunal rejeitou um processo de 50 milhões de libras contra o governo escocês devido ao fracasso do seu esquema de depósito e retorno de garrafas, um revés que levanta questões sobre a eficácia e a implementação de políticas de economia circular. Em contraste, um novo estudo europeu trouxe uma nota positiva, estimando que o restauro de ecossistemas degradados pode gerar benefícios económicos de 1,8 biliões de euros, enquanto ajuda a mitigar desastres naturais como cheias e incêndios.

Em Portugal, o restauro da natureza e a fiscalização ambiental dominaram as manchetes. A notícia mais preocupante é o novo máximo histórico de crimes contra o ambiente registado em 2025, com mais de 20 mil ocorrências. Este número sublinha a necessidade urgente de reforçar a fiscalização e a sensibilização.

Em resposta a estes desafios, o Governo anunciou um plano ambicioso para “desemparedar” mil quilómetros de rios e ribeiras até 2030, com intervenções de reabilitação a arrancar já este ano. Especialistas defendem que este restauro da natureza é uma “gestão básica de risco” para proteger o país de eventos climáticos extremos.

No setor energético, o futuro do hidrogénio verde esteve em debate, com a indústria a pedir um estímulo claro à procura e uma regulação mais pragmática para que Portugal possa capitalizar o seu potencial.

Por fim, uma nota de mobilização cívica: a iniciativa Re-Store Portugal, apoiada por clientes do Lidl, conseguiu angariar fundos para o restauro de 30 hectares de natureza no Parque Nacional da Peneda-Gerês, mostrando o poder da ação coletiva.

E assim concluímos o nosso resumo semanal. De um lado, a ciência a alertar para o calor recorde; do outro, a regulação europeia a apertar o cerco à falta de transparência e, em Portugal, a natureza a ser reconhecida como a nossa melhor defesa contra as alterações climáticas.

Obrigada por se juntarem a nós em mais um Pegada Semanal. Voltamos na próxima semana com mais novidades e análises sobre como podemos construir um futuro mais verde. Até lá, continue a fazer a diferença.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.