#7 Pegada Semanal – 20 a 27 de fevereiro
Olá, muito bem-vindos a mais um “Pegada Semanal”, o seu resumo essencial das notícias que moldam o futuro do nosso planeta. Nesta semana de 20 a 27 de fevereiro, o mundo debateu a crescente ameaça dos incêndios florestais simultâneos, a Europa focou-se na resiliência climática e Portugal confrontou as suas fragilidades territoriais face às tempestades. Vamos a isto.
Começamos com um alerta global que ecoou esta semana. Uma nova investigação publicada na revista Nature trouxe à tona uma preocupação crescente: o aquecimento global está a tornar as emergências de incêndios florestais simultâneas em diferentes partes do mundo. Isto significa que, em breve, os países podem ser incapazes de partilhar equipas e equipamentos, colapsando a capacidade de resposta internacional e agravando a crise climática.
Numa nota mais positiva, uma nova parceria internacional visa proteger 60 milhões de acres da floresta amazónica. O foco é capacitar os povos indígenas para gerir a terra, fortalecendo mercados para produtos sustentáveis como açaí, castanha-do-pará, mel e borracha natural. Esta iniciativa sublinha a importância das soluções baseadas na natureza e do papel das comunidades locais na conservação.
No entanto, o cenário político nos Estados Unidos continua a ser uma fonte de preocupação. A administração Trump enfraqueceu as normas de emissão de mercúrio para centrais elétricas, revertendo proteções de saúde pública e ambientais. Esta decisão gerou fortes críticas de especialistas em saúde e clima, que alertam para os impactos negativos na qualidade do ar e na saúde das populações.
Por fim, a Delhi Climate Innovation Week, que decorreu entre 20 e 27 de fevereiro, focou-se na digitalização para finanças inclusivas e sustentabilidade no Sul Global, mostrando o potencial da tecnologia para impulsionar a transição verde em economias emergentes.
Na Europa, a resiliência climática está no centro das atenções. A Comissão Europeia está a preparar um novo quadro integrado para a resiliência climática, a ser adotado ainda em 2026. O objetivo é financiar uma “adaptação justa“, reconhecendo que países como Portugal e Espanha estão na linha da frente dos impactos e precisam de apoio estrutural para enfrentar os desafios crescentes das alterações climáticas.
Um debate na Euronews destacou a complexa relação entre a resiliência económica das estâncias de esqui e a sustentabilidade ambiental. A produção de neve artificial, que exige elevado consumo de água e energia, face a invernos cada vez mais quentes, exemplifica a tensão entre os interesses económicos a curto prazo e a sustentabilidade a longo prazo.
Um estudo do consórcio World Weather Attribution (WWA) sobre as nove tempestades que atingiram a Península Ibérica e o Norte de África entre janeiro e fevereiro de 2026, revelou que as chuvas extremas estão agora cerca de um terço mais húmidas devido ao aquecimento global de 1,3°C. Este dado reforça a urgência de medidas de adaptação e mitigação.
E, no Reino Unido e noutras partes da Europa, o aumento de eventos extremos está a ter um impacto direto no mercado imobiliário. Milhares de casas estão a tornar-se “não seguráveis“, criando os chamados “prisioneiros de hipotecas” que não conseguem vender nem proteger as suas propriedades, evidenciando os custos económicos diretos da crise climática.
Chegamos a Portugal, onde as recentes tempestades expuseram fragilidades estruturais. O estudo do consórcio World Weather Attribution (WWA) apontou que as nove tempestades que atingiram o país entre janeiro e fevereiro de 2026 revelaram fragilidades profundas no ordenamento do território e na proteção civil. A expansão turística e imobiliária em zonas inundáveis e dunas pôs milhares de pessoas em risco, sublinhando a necessidade urgente de rever as políticas de uso do solo.
O balanço técnico da WWA confirmou a violência da tempestade Kristin, com rajadas de até 202 km/h. O número oficial de mortes relacionadas com as tempestades subiu para 16, e o Governo já se comprometeu com um pacote de 2.500 milhões de euros para apoiar famílias e empresas afetadas. Estes eventos reforçam a importância de investimentos em resiliência e adaptação climática.
No campo da educação e sensibilização, a Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal, promoveu a “Semana da Economia” com o tema “Sustentabilidade, Inovação e Cidadania“, debatendo o papel dos jovens na transição verde e na economia circular. Iniciativas como esta são cruciais para formar as futuras gerações de líderes e cidadãos conscientes.
Por fim, o projeto europeu NATURELAB realizou formações em Esposende e Sintra esta semana, preparando profissionais para implementar metodologias de terapia da natureza como ferramenta de saúde pública e bem-estar. E na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL 2026), o Brasil lançou uma campanha posicionando-se como destino de renovação e sustentabilidade, refletindo a tendência global de turismo regenerativo.
E com estas notícias fechamos a nossa “Pegada” desta semana. De um lado, a crescente ameaça dos incêndios simultâneos e o enfraquecimento de normas ambientais nos EUA; do outro, a Europa a construir resiliência e Portugal a aprender com as suas vulnerabilidades. A sustentabilidade é um desafio complexo, mas cada semana traz novas lições e a esperança de um futuro mais verde.
Obrigada por estar desse lado. Voltamos na próxima sexta-feira. Até lá, deixe uma pegada positiva.

