#9 Pegada Semanal – 6 a 13 de março
Bem-vindos a mais um “Pegada Semanal”, o seu resumo essencial das notícias que moldam o futuro do nosso planeta. Hoje, dia 13 de março de 2026, trazemos um balanço de uma semana onde a ciência e a economia se cruzaram de forma decisiva.
Dos glaciares que alimentam biliões de pessoas à nova realidade das empresas portuguesas, onde a sustentabilidade já não é uma opção, mas o motor da decisão. Vamos percorrer os destaques a nível mundial, europeu e, claro, o que marcou a agenda em Portugal.
Começamos com o olhar posto no topo das nossas montanhas. Esta semana, as Nações Unidas e a UNESCO intensificaram os preparativos para o primeiro Dia Mundial dos Glaciares, que se assinala oficialmente a 21 de março. O alerta é urgente: quase 2 mil milhões de pessoas dependem da água proveniente do degelo dos glaciares e da neve. Com o aumento das temperaturas globais, estas “torres de água” naturais estão a desaparecer a um ritmo sem precedentes, lançando o mote para a nova “Década de Ação para as Ciências Criosféricas”.
Ainda no plano global, a meteorologia traz avisos sérios. Os modelos climáticos indicam uma probabilidade crescente do regresso do fenómeno El Niño já este verão. Isto significa que podemos enfrentar um novo ciclo de calor intenso, inundações e secas extremas, colocando à prova a preparação dos governos para desastres naturais.
Na energia, a segurança global falou mais alto. A Agência Internacional de Energia solicitou aos seus 32 Estados-membros a libertação de reservas de petróleo para estabilizar os mercados. Uma medida que teve resposta imediata em vários países, incluindo Portugal, como veremos já de seguida.
Na Europa, o debate sobre o custo de vida e a independência energética continua ao rubro. Bruxelas instou esta semana os Estados-membros a baixarem os impostos sobre a energia, uma tentativa de aliviar a pressão sobre os consumidores e as empresas num mercado ainda muito volátil.
Mas a declaração que mais deu que falar veio da liderança da Comissão Europeia. Num tom pragmático, foi defendido que o abandono precipitado da energia nuclear por parte de alguns países europeus foi um “erro estratégico” para a autonomia energética do bloco. Este comentário reacende a discussão sobre o papel do nuclear como energia de transição para atingir as metas de neutralidade carbónica.
Destaque ainda para novos estudos sobre resiliência urbana, que mostram como as cidades europeias podem acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através de infraestruturas verdes, criando ambientes mais inclusivos e preparados para as alterações climáticas.
Chegamos a Portugal, onde a sustentabilidade está a entrar definitivamente nas salas de reuniões. Um novo estudo revelou que 77% das grandes empresas e 68% das PME portuguesas já baseiam as suas decisões estratégicas em critérios de sustentabilidade. Mais impressionante ainda: 80% das grandes firmas admitem que a sustentabilidade já alterou profundamente a sua forma de operar. O “verde” deixou de ser marketing para ser gestão pura e dura.
Na agricultura, o destaque vai para o II Congresso da CropLife Portugal, sob o lema “Mitos Não Alimentam”. O debate focou-se nos desafios de produzir alimentos num contexto de regulação europeia cada vez mais apertada. A mensagem foi clara: sem ciência e inovação – como o melhoramento genético de culturas mais resistentes à seca – a segurança alimentar da Europa pode estar em risco.
E como referi há pouco, Portugal respondeu ao apelo internacional e libertou 2 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, contribuindo para o esforço global de estabilização de preços e segurança energética.
Por fim, um alerta do setor dos combustíveis: os revendedores admitem o risco de fecho de muitos postos de abastecimento, fruto da mudança de paradigma na mobilidade e da transição para veículos elétricos, o que exigirá uma reconversão urgente destes negócios.
E com estas notícias fechamos a nossa “Pegada” desta semana. Entre o degelo dos glaciares e a transformação das nossas empresas, fica a certeza de que o caminho para 2030 se faz com decisões corajosas hoje.
Obrigada por estar desse lado. Voltamos na próxima sexta-feira. Até lá, deixe uma pegada positiva.

