Equipa analisou 64 variedades de trigo duro cultivadas em duas condições mediterrânicas diferentes: de regadio e de sequeiro. Imagem: Jara Jauregui-Besó (University of Barcelona - AGROTECNIO)

Inteligência artificial e drones ajudam a identificar trigo mais resistente às alterações climáticas

Investigadores espanhóis desenvolveram uma nova estratégia que combina tecnologia avançada e IA para selecionar variedades de trigo mais produtivas e estáveis em cenários climáticos extremos.

Equipa liderada pela University of Barcelona e pelo centro de investigação Agrotecnio desenvolveu uma abordagem inovadora para selecionar variedades de trigo mais resilientes às alterações climáticas, recorrendo a inteligência artificial e drones.

O estudo, publicado na revista científica Plant Phenomics, propõe uma mudança de paradigma na agricultura: mais do que maximizar a produtividade, é essencial garantir a estabilidade das colheitas em condições ambientais variáveis, marcadas por flutuações de temperatura e disponibilidade de água.

Para testar esta abordagem, os investigadores analisaram 64 variedades de trigo duro cultivadas em dois cenários mediterrânicos distintos – com rega e em regime de sequeiro. O objetivo foi identificar genótipos capazes de combinar elevados rendimentos com um desempenho consistente ao longo do tempo.

Uma das conclusões mais surpreendentes do estudo desafia uma ideia comum: as melhores variedades não são as que mantêm as folhas verdes durante mais tempo. Pelo contrário, os resultados mostram que o trigo mais resiliente é aquele que apresenta um crescimento vigoroso nas fases iniciais e amadurece ligeiramente mais cedo.

Para recolher dados detalhados ao longo de todo o ciclo de crescimento, a equipa utilizou sensores no terreno e drones equipados com câmaras RGB, multiespectrais e térmicas. Esta tecnologia permitiu monitorizar o desenvolvimento das culturas em tempo real, antecipando informações sobre o desempenho das plantas sem necessidade de colheita, reduzindo custos e tempo de análise.

Com base nestes dados, foram treinados modelos de inteligência artificial capazes de prever, com elevada precisão, tanto a produtividade como a estabilidade das diferentes variedades. Esta capacidade abre novas perspetivas para programas de melhoramento genético, acelerando a identificação de culturas mais adaptadas a condições adversas.

Os investigadores concluem que a combinação entre crescimento inicial vigoroso e maturação precoce é determinante para assegurar colheitas mais consistentes em cenários de seca e temperaturas elevadas – um avanço que poderá ser crucial para garantir a segurança alimentar num contexto de alterações climáticas.

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