Chá verde e biochar inspiram fertilizante “inteligente” que aumenta colheitas e reduz emissões

Nova tecnologia agrícola combina chá verde, biochar e nanotecnologia para criar fertilizantes mais eficientes, capazes de melhorar o crescimento das plantas e diminuir o impacto ambiental.

Uma equipa de investigadores desenvolveu um fertilizante inovador que promete transformar a agricultura ao torná-la mais eficiente e sustentável. A solução recorre a uma combinação de biochar, polímeros naturais e nanopartículas de ferro produzidas a partir de extrato de chá verde, permitindo uma libertação controlada de nutrientes no solo.

O principal objetivo desta tecnologia é responder a um dos maiores desafios da agricultura moderna: a perda significativa de nutrientes como o azoto e o fósforo, que frequentemente se dissipam através de lixiviação e escorrência. Este fenómeno não só reduz a eficácia dos fertilizantes tradicionais como contribui para a poluição da água e para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa.

A inovação reside na estrutura híbrida do fertilizante, que combina biochar e zeólitos com um revestimento biodegradável reforçado por nanopartículas de ferro. Estas partículas, produzidas de forma sustentável com recurso ao chá verde, criam uma barreira que regula a entrada de água e a libertação de nutrientes, assegurando que estes ficam disponíveis para as plantas durante mais tempo.

Os resultados laboratoriais mostram uma redução significativa na libertação de nutrientes: o azoto caiu para cerca de 58% e o fósforo para menos de 16% face aos fertilizantes convencionais. Esta libertação mais lenta permite uma melhor absorção pelas plantas e reduz o desperdício.

Testes realizados em culturas de tomate revelaram melhorias claras no crescimento: plantas mais altas, raízes mais desenvolvidas e maior biomassa. Além disso, o fertilizante contribuiu para a melhoria da qualidade do solo, aumentando os níveis de nutrientes essenciais e a capacidade de retenção.

Do ponto de vista económico, a solução apresenta-se competitiva, com um custo estimado de produção de cerca de 562 dólares por tonelada. Já no plano ambiental, o potencial é significativo: a adoção em larga escala poderá reduzir emissões em dezenas de milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, sobretudo em regiões de agricultura intensiva.

Os investigadores defendem que esta abordagem, que combina materiais de origem biológica com nanotecnologia, pode abrir caminho a sistemas agrícolas mais sustentáveis. Estudos futuros irão avaliar o desempenho em larga escala e os impactos a longo prazo nos ecossistemas do solo, mas os resultados iniciais apontam para uma solução promissora no combate às ineficiências e aos impactos ambientais da agricultura moderna.

As nanopartículas de ferro sintetizadas por via verde melhoram os revestimentos de CMC/PVA para fertilizantes de libertação lenta à base de biochar e zeólitos.
Imagem: Mengqiao Wu, Zefeng Ruan, Yuyuan Wu, Yang Cheng, Yuting Hong, Qinglin Gu, Yiting Zhang, Jialin Wei, Xiaowen Zhang, Chang Dong, Xu Zhao, Yongfu Li, Chengfang Song & Bing Yu

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