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O cigarro também destrói o planeta: o impacto ambiental oculto do tabaco

Dia Mundial sem Tabaco

Todos sabem que o tabaco mata. Os avisos nas embalagens, as campanhas de saúde pública e décadas de investigação médica tornaram essa realidade inegável: mais de oito milhões de pessoas morrem por ano no mundo em consequência do consumo de tabaco, segundo a Organização Mundial de Saúde. Mas há uma dimensão desta crise que continua subrepresentada no debate público – e que, num portal de sustentabilidade, não pode ficar por dizer: o tabaco é também um dos maiores destruidores de ecossistemas do planeta.

O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado a 31 de maio desde 1987 por iniciativa da OMS, tem em 2026 o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco“. O foco é a forma como a indústria se reinventa para recrutar novas gerações de consumidores, em especial através dos cigarros eletrónicos e dos dispositivos de tabaco aquecido. Mas a máscara que esta indústria usa não é apenas de saúde pública – é também ambiental. E é essa que o GreenOcean quer hoje ajudar a retirar.

Todos os anos, a indústria do tabaco é responsável pela perda de 600 milhões de árvores, pela utilização de 200 mil hectares de terra e de 22 mil milhões de toneladas de água, e pela emissão de 84 milhões de toneladas de CO2, de acordo com dados da OMS. O processamento e o transporte de tabaco representam uma fração das emissões globais de gases com efeito de estufa equivalente a um quinto da pegada de carbono de toda a aviação mundial. Para curar um quilograma de folhas de tabaco são necessários cerca de dez quilogramas de madeira – um processo que agrava a desflorestação nos países produtores, a maioria dos quais em desenvolvimento, onde a pressão sobre os ecossistemas florestais é já enorme.

E depois há as beatas. Os filtros de cigarro – compostos por acetato de celulose, um plástico que não é biodegradável – são o resíduo mais frequentemente encontrado em praias, margens de rios e ruas de todo o mundo. Constituem a segunda maior fonte de poluição plástica a nível global, segundo a OMS. Cada beata descartada pode libertar no ambiente mais de sete mil compostos químicos, entre os quais arsénio, chumbo, formaldeído e nicotina – substâncias que contaminam solos, lençóis freáticos e ecossistemas marinhos. Os microplásticos dos filtros já foram detetados em todos os oceanos do planeta, incluindo no fundo da Fossa das Marianas, o ponto mais profundo da Terra.

Em Portugal, o problema é visível a olho nu. As campanhas de limpeza de praias e rios identificam sistematicamente as beatas de cigarro como um dos resíduos mais recolhidos. A Associação Bandeira Azul da Europa alerta há anos para a contaminação costeira por resíduos de tabaco. E embora a legislação europeia sobre plásticos de uso único, em vigor desde 2021, obrigue os produtores de tabaco a contribuir para os custos de limpeza destes resíduos, a aplicação efetiva desta responsabilidade alargada do produtor está ainda aquém do necessário.

O Dia Mundial sem Tabaco de 2026 é uma oportunidade para alargar o debate. Deixar de fumar é uma decisão de saúde – mas é também uma decisão ambiental. Cada cigarro não fumado é uma beata que não contamina uma praia, 14 gramas de CO2 que não são emitidas, uma fatia ínfima, mas real de um ecossistema que não é pressionado. Multiplicada por milhões de pessoas, essa escolha tem peso. O planeta também agradece.

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