Campo de gelo de Manson, Nunavut, acima do local onde um lago subglaciar drena e enche. Imagem: Doutor Luke Copland/Universidade de Ottawa

Descobertos 33 lagos escondidos sob o gelo do Ártico canadiano

Investigadores mapearam pela primeira vez uma rede de lagos subglaciares no Ártico canadiano, revelando novos dados sobre o impacto das alterações climáticas no comportamento dos glaciares.

Uma equipa internacional de investigadores identificou e mapeou, pela primeira vez, uma rede de 33 lagos subglaciares escondidos sob o gelo do Ártico canadiano, abrindo novas perspetivas sobre a dinâmica desta região crítica para o equilíbrio climático global.

O estudo, liderado por cientistas da University of Waterloo, recorreu a uma década de dados de satélite ArcticDEM para analisar variações na altura da superfície do gelo. Esta abordagem permitiu detetar, com um detalhe sem precedentes, os ciclos de enchimento e esvaziamento destes lagos ocultos sob os glaciares.

Até agora, o conhecimento sobre estas massas de água era muito limitado. A sua identificação é particularmente relevante numa região que está a sofrer um degelo acelerado e que contribui significativamente para a perda global de massa glaciar.

Os investigadores destacam que a presença de água sob os glaciares pode influenciar diretamente a sua velocidade de deslocação. Ao funcionar como um “lubrificante” entre o gelo e o solo, a água facilita o deslizamento dos glaciares, podendo acelerar o seu movimento e, consequentemente, o seu contributo para a subida do nível do mar.

Além dos lagos subglaciares “clássicos”, confinados sob um único glaciar, o estudo identificou dois novos tipos: lagos terminais, localizados onde dois glaciares convergem, e lagos parciais, que coexistem junto a zonas de água aberta. Esta nova classificação poderá ajudar a compreender melhor como diferentes configurações afetam o comportamento do gelo.

Segundo os autores, a monitorização destes sistemas permitirá avaliar com maior precisão os impactos das alterações climáticas no Ártico. Em particular, compreender a rapidez com que estes lagos se enchem e esvaziam poderá fornecer indicadores importantes sobre a evolução dos glaciares e a estabilidade da região.

A investigação abre assim caminho a novos estudos sobre o destino da água libertada durante os eventos de drenagem e o seu papel na dinâmica glaciar. Numa altura em que o Ártico aquece a um ritmo superior ao da média global, estas descobertas reforçam a importância de monitorizar os sistemas ocultos que influenciam o futuro dos glaciares.

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