Esquemas do sistema magmático de Yellowstone. À esquerda: esquemas ilustrativos do sistema magmático de Yellowstone na perspetiva tradicional da câmara magmática. À direita: esquemas que mostram o sistema magmático translitosférico de Yellowstone na perspetiva da pasta magmática. Imagem: LIU Lijun's Group

Nova investigação revela origem superficial do magma em supervulcões

Estudo publicado na revista Science desafia teorias tradicionais e aponta para o manto superior como fonte do magma responsável por supererupções.

Um novo estudo científico está a transformar a forma como se compreende a origem das supererupções vulcânicas, ao revelar que o magma dos supervulcões poderá ter origem em zonas mais superficiais do manto terrestre do que se pensava até agora.

A investigação, conduzida por uma equipa do Chinese Academy of Sciences, foi publicada na revista Science e apresenta um modelo geodinâmico tridimensional que simula a dinâmica atual da litosfera e do manto sob a América do Norte.

Os resultados indicam que, ao contrário da teoria dominante – que apontava para plumas profundas originadas junto ao núcleo da Terra -, o magma que alimenta supervulcões como o Yellowstone Caldera provém da astenosfera superior, uma camada mais próxima da superfície.

O estudo introduz ainda o conceito de “vento do manto”, um fluxo horizontal de material quente gerado pela subducção da antiga placa de Farallon. Este movimento transporta material quente em direção à região de Yellowstone, onde ocorre fusão parcial devido à descompressão, dando origem ao magma.

Outro aspeto relevante é a forma como este magma se organiza. Em vez de grandes câmaras líquidas concentradas, como sugeriam modelos anteriores, os investigadores defendem a existência de sistemas difusos de “magma mush” – zonas extensas de rocha parcialmente fundida distribuídas pela litosfera. Estes sistemas são mais viscosos e complexos, o que altera significativamente a compreensão dos mecanismos que conduzem às erupções.

O modelo desenvolvido mostra também como forças opostas no interior da Terra podem “rasgar” a litosfera continental, criando canais que facilitam a ascensão do magma e influenciam a evolução a longo prazo dos sistemas vulcânicos.

As supererupções – eventos extremamente raros mas devastadores, capazes de expelir mais de mil quilómetros cúbicos de material – têm impactos profundos no clima global, nos ecossistemas e nas sociedades humanas. Compreender melhor os processos que lhes dão origem é, por isso, essencial para melhorar a avaliação de riscos.

Este estudo oferece, pela primeira vez, uma explicação integrada para a formação de sistemas magmáticos em supervulcões, ligando a geração de magma no manto à sua acumulação na litosfera, e abrindo novas perspetivas para a investigação e monitorização destes fenómenos extremos.

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