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Dia da Terra 2026 – “Our Power, Our Planet”: o que mudou e o que ficou por mudar

Cinquenta e seis anos depois da primeira manifestação ambiental da história moderna, o Dia da Terra encontrou-se a 22 de Abril numa encruzilhada rara: o maior retrocesso político em décadas na maior economia do mundo, a par dos maiores records de crescimento renovável de sempre. A mensagem de 2026 é clara – a mudança não espera por governos.

O tema do Dia da Terra 2026 – “Our Power, Our Planet” – não é uma escolha inocente. A Earthday.org, organização que coordena as celebrações em mais de 193 países e mobiliza anualmente cerca de mil milhões de pessoas, foi direta no seu manifesto: o progresso ambiental é real, resiliente e contínuo – independentemente da incerteza política. Numa altura em que a administração Trump nos Estados Unidos desmonta regulação climática à velocidade de decreto em decreto, a mensagem é de resistência descentralizada: cidades, escolas, comunidades indígenas, famílias. A mudança que importa está a acontecer onde as câmaras de televisão não chegam.

Em Washington, a DC Climate Week (20-26 de Abril) transformou a capital americana numa semana de ação comunitária que culminou no Dia da Terra a 22. Em San Francisco, a SF Climate Week reuniu mais de 1.000 oradores em 750 eventos, incluindo o antigo vice-presidente Al Gore. Os dois eventos mostram que, mesmo no país com maior retrocesso político de 2025-2026, a mobilização civil não abrandou. Acelerou.

O progresso ambiental não depende de uma única administração ou eleição. É sustentado pelas ações diárias de comunidades, educadores, trabalhadores e famílias. – Manifesto do Dia da Terra 2026, Earthday.org

O que ficou por mudar

O otimismo do Dia da Terra tem, inevitavelmente, duas faces. Por cada record renovável, existe uma central a carvão que reabre. Por cada meta climática cumprida, existe um tratado que bloqueia. A crise do Estreito de Ormuz – que encerrou parcialmente à navegação desde o final de Fevereiro na sequência dos ataques de EUA e Israel ao Irão – expôs a vulnerabilidade estrutural de um sistema energético global ainda profundamente dependente de combustíveis fósseis. A Itália adiou o encerramento das suas centrais a carvão por 13 anos. Alemanha, Coreia do Sul e Japão discutem medidas semelhantes.

A transformação que o Dia da Terra celebra em 2026 é real, mas assimétrica. Os países que investiram precocemente em renováveis – Portugal, Espanha, Reino Unido, Noruega, Dinamarca – estão genuinamente mais protegidos face à volatilidade dos mercados de energia. Os que não o fizeram enfrentam agora a fatura dupla: faturas energéticas a disparar e compromissos climáticos por cumprir.

O legado do Dia da Terra deste ano não será apenas a mobilização de um dia, mas a confirmação de uma tese: a transição energética não pára com retrocessos políticos. Abranda, contorna, adapta-se – mas avança. Em 2025, o mundo instalou mais capacidade renovável do que em qualquer ano da história. Em 2026, vai bater esse record de novo.

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