CBAM entra em vigor: o primeiro preço dos certificados de carbono europeus e o que muda para as empresas
A 7 de Abril, a Comissão Europeia publicou o primeiro preço trimestral dos certificados do Mecanismo de Ajustamento Carbónico na Fronteira: 75,36 euros por tonelada de CO2. É o momento em que o carbono importado para a Europa ganha finalmente um custo real, tangível e monitorizado. As implicações para o comércio global são profundas.
O Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) – em português, Mecanismo de Ajustamento Carbónico na Fronteira – é uma das peças centrais do Pacote Climático Europeu “Fit for 55“. A sua lógica é simples: se as empresas europeias pagam pelo carbono que emitem através do Sistema de Comércio de Emissões (ETS), então os produtos importados de países sem preço de carbono equivalente devem pagar um custo semelhante à entrada na União Europeia. Caso contrário, cria-se um incentivo perverso para a “fuga de carbono” – a deslocalização de produção para países com regulação mais frouxa.
O mecanismo entrou na sua fase definitiva a 1 de Janeiro de 2026, após um período de transição de 2023 a 2025 em que os importadores apenas tinham obrigações de reporte. A partir de agora, os importadores de produtos abrangidos – cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogénio – que importem mais de 50 toneladas anuais precisam de uma conta CBAM registada. O preço dos certificados espelha o preço das licenças do ETS, publicado trimestralmente em 2026 e semanalmente a partir de 2027.
O primeiro preço CBAM de 75,36 euros por tonelada para o primeiro trimestre de 2026 estabelece o custo de carbono que os importadores vão enfrentar pelos bens trazidos para a UE. – Comissão Europeia, 7 de Abril de 2026
O que muda na prática para importadores e exportadores
Para os exportadores de países como Índia, China, Turquia e Vietname que abastecem o mercado europeu, o CBAM cria uma nova camada de custos que se soma aos direitos aduaneiros existentes. Um importador de aço indiano, por exemplo, enfrenta um custo de carbono por tonelada de CO2 incorporado na produção – calculado com base nas emissões verificadas ou em valores por defeito definidos pela Comissão. O prazo para a primeira declaração anual de 2026 é 30 de Setembro de 2027, o que significa que as empresas estão agora a construir os sistemas de recolha de dados de que vão precisar.
O impacto mais imediato não é financeiro, mas de informação: as empresas que importam produtos abrangidos precisam de conhecer as emissões incorporadas dos seus fornecedores. Isso está a pressionar as cadeias de abastecimento globais a uma transparência sobre carbono que nunca foi exigida antes. Os fornecedores que consigam demonstrar emissões baixas ou carbono já precificado no país de origem poderão reduzir os custos CBAM dos seus clientes europeus – criando um incentivo real para a descarbonização industrial global.
CBAM como instrumento diplomático
O CBAM não é apenas um mecanismo fiscal – é uma ferramenta diplomática. Ao condicionar o acesso ao mercado europeu a práticas de baixo carbono, a UE está a exportar a sua política climática. Países que desenvolvam regimes de carbono equivalentes ficam isentos, o que criou um incentivo político real: várias nações asiáticas e latino-americanas aceleraram a discussão de mercados de carbono internos depois do CBAM ser confirmado.
O Reino Unido anunciou o seu próprio mecanismo equivalente com início em 2027, cobrindo os mesmos sectores. Com os dois maiores blocos comerciais ocidentais a cobrar carbono na fronteira, a lógica do mercado global está a mudar de forma estrutural e irreversível.
FONTES
- – Comissao Europeia – Pagina oficial do CBAM
- – S&P Global – Primeiro preco CBAM: 75,36 euros/tonelada
- – CMTradeLaw – Analise do primeiro preco e obrigacoes 2026
- – Coolset – Cronograma CBAM 2026: o que esperar
- – Carra Globe – Como o CBAM muda rotas comerciais
- – Parlamento Europeu – Dossier legislativo CBAM

