Cada minúscula gotícula (os círculos cinzentos) contém uma única célula bacteriana, que cresce e desenvolve a sua própria aparência distinta ao longo do tempo (os pequenos pontos dentro das gotículas). Ao formar milhares destas gotículas microscópicas, os investigadores podem cultivar e estudar muitos microrganismos em paralelo, a nível unicelular, revelando a diversidade microbiana oculta e ajudando a descobrir estirpes bacterianas raras. Foto: Hang Xiao

Bactéria de abelhões pode enriquecer bebidas de soja com vitamina B2

Investigadores dinamarqueses desenvolveram método inovador que identifica rapidamente bactérias capazes de fermentar e aumentar o valor nutricional de alternativas vegetais ao leite.

Uma bactéria encontrada no intestino de abelhões poderá ajudar a melhorar o valor nutricional das bebidas de soja, aumentando o teor de vitamina B2 (riboflavina) durante o processo de fermentação. A descoberta resulta de um estudo conduzido por investigadores do DTU National Food Institute, que desenvolveram também um método mais rápido para identificar microrganismos com potencial industrial.

O trabalho, publicado na revista científica LWT – Food Science and Technology, responde a um desafio comum nas alternativas vegetais ao leite: a menor presença de vitaminas e minerais essenciais quando comparadas com o leite de origem animal.

Para ultrapassar esta limitação, a equipa analisou o microbioma de abelhões, explorando bactérias naturalmente adaptadas a ambientes vegetais. O objetivo foi encontrar estirpes capazes de sobreviver em bebidas de soja e, simultaneamente, produzir vitamina B2 durante a fermentação.

A inovação do estudo reside no uso de uma técnica de “triagem em gotículas” (droplet screening), que permite analisar milhões de bactérias em poucas horas. Cada microrganismo é isolado numa microgota, funcionando como um pequeno laboratório individual, o que acelera significativamente o processo de identificação.

Este método permite analisar comunidades microbianas completas de forma rápida e direta, sem necessidade de isolar previamente cada bactéria”, explica Claus Heiner Bang-Berthelsen. Segundo o investigador, a abordagem pode reduzir meses de trabalho e otimizar o desenvolvimento de novas culturas de fermentação.

Entre as bactérias identificadas, destacou-se uma estirpe de Lactococcus lactis, que demonstrou elevada capacidade para produzir vitamina B2 em bebidas de soja, mesmo em condições reais de aplicação alimentar. Além disso, revelou versatilidade ao conseguir utilizar diferentes tipos de açúcar, tornando-se uma candidata promissora para processos industriais.

Os testes indicaram, no entanto, que o desempenho da bactéria é inferior em bebidas vegetais com baixo teor proteico, como as de arroz ou aveia, sugerindo que a presença de proteína é determinante para a sua eficácia.

Os investigadores sublinham ainda que esta tecnologia poderá ser adaptada para identificar bactérias capazes de produzir outros compostos de interesse, desde que sejam detetáveis por fluorescência. O avanço abre novas perspetivas para o desenvolvimento de alimentos plant-based mais nutritivos, num mercado em rápido crescimento.

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