Dependência de combustíveis fósseis ameaça saúde dos europeus, alerta novo relatório
Poluição, ondas de calor e doenças infeciosas em expansão estão entre os principais riscos identificados pelo mais recente relatório europeu do Lancet Countdown sobre saúde e alterações climáticas.
A crescente dependência da Europa de combustíveis fósseis está a agravar riscos sérios para a saúde pública, desde a poluição do ar até à propagação de doenças infeciosas. O alerta é deixado pelo novo relatório europeu do Lancet Countdown Europe, que será apresentado a 22 de abril na Heidelberg University.
O documento, a publicar na revista The Lancet Public Health, reúne o trabalho de 65 especialistas de instituições académicas e organizações das Nações Unidas, analisando a relação entre saúde e alterações climáticas no continente europeu através de 43 indicadores.
Entre as principais conclusões está o impacto crescente da poluição atmosférica, o aumento dos danos provocados por ondas de calor e a expansão de doenças infeciosas associadas ao clima. Segundo Joacim Rocklöv, co-diretor do relatório, “as alterações climáticas impulsionadas por combustíveis fósseis representam uma ameaça crescente para a saúde de um número cada vez maior de pessoas na Europa”.
Ainda assim, o relatório destaca também exemplos positivos de ação climática e proteção da saúde, demonstrando que medidas adotadas a nível nacional e local podem mitigar os impactos da crise climática. Para Cathryn Tonne, também codiretora da iniciativa, estas respostas são essenciais para travar os efeitos mais graves e proteger as populações.
Criado em 2021 como braço regional do esforço global do Lancet Countdown, o projeto europeu acompanha tendências em cinco áreas-chave, incluindo riscos para a saúde, medidas de adaptação e mitigação, impactos económicos e financeiros e o envolvimento da sociedade.
A apresentação oficial do relatório contará com a participação de especialistas de várias instituições internacionais, como a World Health Organization e a European Environment Agency, que irão discutir respostas concretas à crescente incidência de doenças relacionadas com o clima.
O evento, aberto ao público e com transmissão online, pretende não só divulgar os resultados, mas também promover o debate sobre políticas eficazes para enfrentar simultaneamente a crise climática e os seus efeitos na saúde humana.

