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Nova fronteira do carbono: Reino Unido quantifica o seu mercado de créditos em 1,5 mil milhões de dólares anuais

Um relatório inédito publicado na semana de 21 de Abril quantifica pela primeira vez a dimensão e o valor económico do mercado britânico de créditos de carbono: 1,2 mil milhões de libras (cerca de 1,5 mil milhões de dólares) por ano. O número é mais do que uma estatística – é um argumento político, económico e estratégico num momento em que o mundo debate a arquitetura dos mercados de carbono pós-COP30.

O relatório, referenciado pela ESG News na semana de 21 de Abril, é o primeiro estudo a quantificar sistematicamente a escala e o valor económico da economia de créditos de carbono do Reino Unido. O valor anual de 1,2 mil milhões de libras (aproximadamente 1,5 mil milhões de dólares) posiciona o Reino Unido como um dos líderes mundiais na criação e comercialização de créditos voluntários e regulatórios de carbono.

O estudo coincide com o anúncio britânico de um mecanismo próprio de ajustamento carbónico na fronteira (UK CBAM) para 2027, que cobrirá os mesmos sectores que o CBAM europeu: cimento, aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogénio. A combinação de um mercado de créditos robusto com um mecanismo de fronteira alinhado com a UE coloca o Reino Unido numa posição de liderança regulatória e financeira no espaço do carbono pós-Brexit.

O mercado britânico de créditos de carbono vale 1,2 mil milhões de libras por ano – e este número posiciona o país como ator central na arquitetura financeira da transição climática. – ESG News, Abril 2026

Contexto global: mercados de carbono após a COP30

O contexto internacional é determinante para perceber o significado do número britânico. A COP30 de Belém, em Novembro de 2025, produziu finalmente um acordo sobre o Artigo 6 do Acordo de Paris – o articulado que regula os mercados de carbono internacionais. Após anos de bloqueio, as regras para a transferência de créditos de carbono entre países (o chamado ITMOs – Internationally Transferred Mitigation Outcomes) estão agora definidas, abrindo caminho para um mercado global de carbono mais estruturado.

A Comissão Europeia, por seu lado, projeta adquirir pelo menos 50 mil milhões de euros em créditos de carbono ao longo da década de 2030 para ajudar a cumprir as suas metas de redução de emissões. Esse montante representa uma oportunidade de financiamento massiva para países com capacidade de desenvolver projetos de captura de carbono – florestas, solos, restauro de ecossistemas, tecnologias de captura.

Questões que permanecem em aberto

O entusiasmo em torno dos mercados de carbono coexiste, contudo, com interrogações sérias sobre a sua eficácia real. O Climate Home News publicou na mesma semana investigações sobre créditos de carbono de qualidade duvidosa e práticas contabilísticas criativas no financiamento climático. O registo que utilizou quase um milhão de créditos fictícios para compensar projetos de arroz falhados na China – ligados à Shell – é apenas um dos casos que alimentam o ceticismo sobre a integridade do mercado voluntário.

Portugal tem aqui uma oportunidade que ainda não explorou suficientemente. Com matas de sobreiro, florestas mediterrânicas, zonas húmidas e potencial de restauro de ecossistemas marinhos e fluviais, o país poderia ser um fornecedor de créditos de carbono de alta qualidade e alta integridade. O Pro~Rios, o programa de restauro de rios em consulta pública até 17 de Maio, é exatamente o tipo de projeto que poderia gerar créditos de biodiversidade e de carbono no contexto de um mercado global que está a ganhar escala e credibilidade regulatória.

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